A turbulência na governança do GPA (PCAR3) ganhou mais um capítulo inesperado. Edison Ticle renunciou ao cargo de vice-presidente do conselho de administração apenas dois meses após ter sido eleito, mesmo com mandato previsto até 2027. A saída acontece em um ano já marcado por duas eleições de conselho, troca de CEO e conflitos internos, aumentando a percepção de instabilidade no comando do grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra.
A renúncia foi formalizada no dia 23 de dezembro e comunicada ao mercado na sexta-feira seguinte. Nos bastidores, o movimento é visto como uma tentativa de reduzir tensões internas que se intensificaram desde a renovação do board em outubro.
Eleição, apoio de acionistas e desgaste rápido
Ticle chegou ao conselho com força. Ele foi o conselheiro mais votado na eleição de outubro, com apoio do investidor Rafael Ferri e aval da família Coelho Diniz, hoje principal acionista do GPA. Esse respaldo acabou levando o executivo à vice-presidência do colegiado logo na primeira reunião do novo conselho.
O problema é que a ascensão foi rápida demais para um ambiente já pressionado. A eleição de Ticle para a vice-presidência gerou desconforto imediato no então CEO Marcelo Pimentel, que chegou a ameaçar deixar o cargo. Poucas semanas depois, a ameaça se concretizou: Pimentel renunciou tanto à presidência executiva quanto ao próprio conselho.
Conflitos internos e isolamento no board
Relatos de fontes próximas à companhia indicam que os embates não ficaram restritos ao CEO. Ticle também teria acumulado atritos com outros conselheiros, incluindo o então coordenador do comitê fiscal, Tufi Daher Filho, que deixou o cargo no início de dezembro.
Embora as saídas não estejam diretamente ligadas, o clima interno se deteriorou. A relação entre Ticle e o presidente do conselho, André Coelho Diniz, teria se desgastado nas últimas semanas, com avaliação de que o vice-presidente acabou isolado dentro do board.
Nesse contexto, a renúncia é vista como um movimento para pacificar o conselho e reduzir o risco de novos ruídos em um momento sensível para a empresa.
Ano de instabilidade na governança do GPA
A saída ocorre em um ano atípico para o GPA. Em 2025, a companhia elegeu dois conselhos diferentes, um em maio e outro em outubro, algo raro para empresas listadas. Além disso, houve troca de CEO, renúncias em sequência e disputas entre acionistas, o que aumentou a volatilidade institucional.
Para o mercado, esse tipo de instabilidade costuma pesar mais do que resultados pontuais, pois afeta previsibilidade, estratégia de longo prazo e relacionamento com investidores.
Disputa por vagas reacende interesse de acionistas
Com a renúncia de Edison Ticle, o conselho de administração passa a ter duas cadeiras em aberto. A expectativa é que o grupo francês Casino, que detém cerca de 22,5% do capital, indique um nome para substituir Marcelo Pimentel, que era sua indicação.
Já a vaga deixada por Ticle deve entrar no radar dos acionistas minoritários. A Bonsucex, holding do investidor Silvio Tini, que possui pouco mais de 5% das ações, surge como uma potencial candidata a disputar espaço no conselho.
O movimento indica que a disputa por influência dentro do GPA está longe de terminar.
O que o investidor precisa observar agora
Mais do que nomes, o mercado acompanha sinais de estabilidade e alinhamento estratégico. A composição final do conselho, a relação entre acionistas e a condução da governança serão decisivas para o futuro da companhia em 2026.
Para entender como mudanças no conselho afetam ações, governança e decisões estratégicas das empresas listadas, continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
Quem renunciou ao conselho do GPA?
Edison Ticle, vice-presidente do conselho de administração.
Quanto tempo ele ficou no cargo?
Cerca de dois meses após a eleição do novo board.
Por que a renúncia aconteceu?
A saída é atribuída a conflitos internos e tentativa de pacificar o conselho.
Quantas vagas estão abertas no conselho agora?
Duas cadeiras estão em aberto após renúncias recentes.
Isso afeta as ações do GPA?
Sim. Instabilidade na governança costuma impactar a percepção do mercado.









