A CSN (CSNA3) deu um passo decisivo para reforçar o caixa e aliviar a pressão financeira. A companhia concluiu a venda de uma fatia relevante da MRS Logística para a CSN Mineração (CMIN3), em uma operação que movimentou R$ 3,35 bilhões e muda o desenho interno do grupo comandado por Benjamin Steinbruch.
O movimento não é apenas contábil. Ele faz parte de uma estratégia maior para reduzir a alavancagem, reorganizar ativos e preparar o terreno para novas monetizações no futuro.
O que exatamente a CSN vendeu?
A operação envolveu a alienação de 11,17% do capital social da MRS Logística, que deixou de estar diretamente nas mãos da CSN e passou para a CSN Mineração.
Com isso:
- A CSN Mineração passa a deter 29,91% da MRS
- A participação direta da CSN cai para 7,59%
A transação foi dividida em duas etapas. A maior parte já foi concluída, enquanto cerca de 2% do capital ainda depende de condições contratuais para ser finalizada.
Quanto vale a MRS nessa conta?
Pelo valor implícito do negócio, a MRS Logística foi avaliada em aproximadamente R$ 30 bilhões. Isso significa que a fatia total que a CSN possuía originalmente na ferrovia chegaria perto de R$ 5,6 bilhões.
O número reforça o peso estratégico do ativo e explica por que ele vem sendo tratado como peça-chave dentro do grupo.
Por que a CSN Mineração entrou no negócio?
A resposta está no caixa. A CSN Mineração vive um momento financeiro mais confortável do que a holding. Menos endividada e com maior geração de recursos, a subsidiária acabou funcionando como uma fonte direta de liquidez para a controladora.
Além disso, do ponto de vista operacional, a lógica é clara. A mineração depende diretamente da MRS para escoar a produção do Complexo Casa de Pedra, em Congonhas (MG), até o porto de Itaguaí (RJ). Concentrar essa participação na mineradora torna a estrutura mais eficiente.
Essa venda já estava no radar do mercado?
Sim. A CSN já havia sinalizado ao mercado, no mês anterior, que negociava a venda de uma participação na MRS, mas sem detalhar valores ou percentuais. Agora, a conclusão do negócio confirma a estratégia e dá mais clareza aos investidores.
O que muda na estratégia do grupo?
A movimentação se encaixa em um plano mais amplo: a criação da CSN Infraestrutura, empresa que deve concentrar ativos logísticos como:
- Participação na MRS
- Terminais portuários
- Estruturas ferroviárias e rodoviárias
A ideia é monetizar esses ativos nos próximos anos, destravando valor e reforçando o caixa do grupo.
Por que a MRS é tão importante?
A MRS Logística opera cerca de 1,7 mil quilômetros de ferrovias entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. É um dos principais corredores logísticos do país para o transporte de minério, carvão e produtos siderúrgicos.
Além da CSN Mineração, a companhia tem como acionistas Vale (VALE3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4), o que reforça sua relevância estratégica para a indústria pesada brasileira.
Conclusão: menos dívida e mais fôlego no caixa
A venda da fatia da MRS mostra que a CSN está disposta a mexer em ativos estratégicos para ganhar fôlego financeiro. Com R$ 3,35 bilhões em caixa, o grupo avança no objetivo de reduzir a alavancagem e reorganizar sua estrutura para os próximos ciclos.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que a CSN vendeu parte da MRS?
Para reforçar o caixa e reduzir o nível de endividamento do grupo.
Quem comprou a participação da MRS?
A CSN Mineração, subsidiária do próprio grupo CSN.
Quanto a operação movimentou?
A venda somou R$ 3,35 bilhões.
A CSN ainda tem participação na MRS?
Sim, mas menor. A participação direta caiu para 7,59%.









