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segunda-feira, janeiro 12, 2026
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Cuba à beira do colapso

A destituição de Nicolás Maduro na Venezuela lança uma sombra ainda mais densa sobre a já fragilizada economia cubana. A ilha, que dependia significativamente do petróleo venezuelano para sua sobrevivência, agora se vê em uma encruzilhada perigosa, com o risco de um colapso ainda maior.

Cenas de desespero, como idosos revirando lixo em busca de comida em Havana, e multidões cantando músicas de exilados em Santiago, evidenciam a gravidade da situação. O governo cubano, liderado por Miguel Díaz-Canel, enfrenta a pressão interna e externa em um momento crítico.

A atual crise econômica se assemelha àquela vivida após o colapso da União Soviética, há mais de três décadas. Dissidentes e ex-funcionários alertam que a instabilidade na Venezuela pode desestabilizar o controle do governo cubano sobre a sociedade, intensificando a repressão.

O Impacto da Falta de Recursos Essenciais

A escassez de água potável e energia elétrica se tornou uma realidade cruel para muitos cubanos. Reynaldo Flores, morador de Havana, relata dias consecutivos sem água corrente e apagões diários, que dificultam até o bombeamento da água quando ela finalmente chega. A falta de gás para cozinhar agrava ainda mais a situação.

A infraestrutura de saúde, já sobrecarregada, lida com doenças transmitidas por mosquitos e a precariedade que leva idosos a morrerem sozinhos em suas casas. A situação é descrita como um “esvaziamento demográfico”, com mais de 2,7 milhões de pessoas, a maioria jovens, fugindo da ilha desde 2020, segundo dados de demógrafos cubanos.

Emigração em Massa e Declínio do Turismo

A taxa de natalidade em Cuba despencou para níveis inferiores aos registrados em 1899, um reflexo direto da emigração em massa e da queda da fertilidade feminina. A população cubana, que já era pequena, está diminuindo drasticamente, com estimativas apontando para cerca de oito milhões de habitantes.

O turismo, outrora um pilar da economia, sofreu um baque severo, com a ocupação hoteleira abaixo de 30%. Mesmo novos hotéis de luxo permanecem quase vazios, e a receita em moeda forte proveniente do setor caiu cerca de 75%, segundo análises.

Dependência do Petróleo Venezuelano e Riscos para a Energia

A economia cubana, incluindo o funcionamento de suas usinas de energia, depende fortemente do petróleo subsidiado da Venezuela. A interrupção desse fornecimento, sob pressão dos EUA, poderia levar ao colapso da infraestrutura energética em questão de 30 dias, de acordo com especialistas.

Cuba produz cerca de 40 mil barris de petróleo por dia, mas necessita de aproximadamente 100 mil. A Venezuela fornecia cerca de 35 mil barris diários, enquanto México e Rússia complementavam com volumes menores. A falta de divisas impede a compra de petróleo no mercado internacional.

Desigualdade Crescente e Resposta do Governo

Ao contrário da crise do “período especial” após o colapso soviético, a atual crise afeta desproporcionalmente os cubanos mais pobres, que não recebem remessas do exterior. Há uma “tensão social real” devido à desigualdade visível entre os que têm acesso a dólares e os que vivem em condições precárias.

Em resposta à destituição de Maduro, o governo cubano organizou comícios para denunciar a ação e declarou luto oficial. No entanto, a capacidade do regime de gerenciar a crise, especialmente a energética, sem o apoio venezuelano, é o grande ponto de interrogação.

Perguntas Frequentes sobre a Crise em Cuba

O que está causando a atual crise em Cuba?

A crise é multifacetada, intensificada pela destituição de Nicolás Maduro na Venezuela, que impacta o fornecimento de petróleo, e agravada pela emigração em massa, o declínio do turismo e a fragilidade econômica geral da ilha.

Qual a importância do petróleo venezuelano para Cuba?

O petróleo venezuelano é crucial para a manutenção da infraestrutura energética de Cuba, incluindo o fornecimento de eletricidade e combustível. A falta desse suprimento pode levar a um colapso energético.

Quantos cubanos deixaram o país recentemente?

Mais de 2,7 milhões de cubanos, a maioria jovens, fugiram da ilha desde 2020, em um fenômeno descrito como “esvaziamento demográfico”.

Como a crise atual se compara ao “período especial”?

Enquanto o “período especial” afetou amplamente toda a sociedade cubana, a crise atual tem um impacto desproporcionalmente maior sobre os mais pobres, aumentando a desigualdade social.

Existe risco de o governo cubano ser destituído?

Apesar da crescente insatisfação e do cenário econômico desfavorável, o governo cubano mantém um forte aparato de segurança. Dissidentes preveem aumento da repressão em resposta à instabilidade.

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