O mercado de trabalho brasileiro fechou 2025 com um dado histórico. A taxa de desemprego caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro, renovando a menor marca da série histórica iniciada em 2012. O resultado, divulgado pelo IBGE, veio abaixo das projeções do mercado financeiro e reforçou a leitura de que o emprego segue forte mesmo com a economia desacelerando.
O dado surpreendeu analistas e consolidou 2025 como um dos melhores anos já registrados para o mercado de trabalho no país.
Por que o desemprego caiu mesmo com juros a 15%
Apesar da taxa Selic em 15% ao ano, o mercado de trabalho mostrou uma resiliência acima do esperado. Economistas avaliam que a desaceleração do PIB vem ocorrendo de forma gradual, sem choques bruscos que levassem empresas a cortar vagas em massa.
Na prática, o emprego conseguiu se manter aquecido, especialmente em setores menos sensíveis ao ciclo econômico, como administração pública, educação e saúde.
Esse comportamento ajudou a impedir uma deterioração mais forte do mercado de trabalho, mesmo em um cenário de crédito caro e consumo pressionado.
Número de desempregados também atinge mínima histórica
Além da queda na taxa, o contingente de desempregados também caiu para o menor nível já registrado. No trimestre até novembro, o Brasil tinha 5,6 milhões de pessoas procurando trabalho, uma redução de 441 mil em relação ao período encerrado em agosto.
Para efeito de comparação, no auge da pandemia, em 2021, o país chegou a ter quase 15 milhões de desempregados, evidenciando a magnitude da recuperação observada nos últimos anos.
População ocupada bate recorde no Brasil
O bom desempenho do mercado de trabalho também aparece no número de pessoas ocupadas. Segundo o IBGE, o Brasil atingiu 103 milhões de trabalhadores com algum tipo de ocupação, o maior patamar da série histórica.
Com isso, o nível de ocupação chegou a 59%, o que significa que quase seis em cada dez brasileiros em idade de trabalhar estavam empregados.
Esse movimento indica que o mercado não apenas absorveu mão de obra, como também conseguiu reter trabalhadores, reduzindo a pressão por novas vagas.
Educação, saúde e setor público puxam as contratações
O grande destaque na geração de empregos foi o grupamento que inclui administração pública, educação e saúde, que adicionou 492 mil trabalhadores em relação ao trimestre anterior.
O avanço reflete fatores como renovação de contratos na área educacional, aumento de gastos de estados e municípios e uma demanda reprimida por concursos e contratações temporárias.
A construção civil também apresentou crescimento relevante, enquanto comércio teve avanço mais tímido e a indústria registrou fechamento de vagas, efeito direto dos juros elevados.
Renda média também bate recorde
Além do emprego, a renda do trabalhador brasileiro também alcançou o maior nível da história. O rendimento real habitual médio chegou a R$ 3.574 por mês, com alta de 1,8% no trimestre e avanço de 4,5% em 12 meses.
Esse aumento da renda ajuda a sustentar o consumo, mas também acende um alerta para a inflação, especialmente no setor de serviços.
O que esperar do mercado de trabalho em 2026
Analistas avaliam que o desemprego deve seguir em patamar historicamente baixo em 2026, mesmo com alguma desaceleração econômica. As projeções apontam uma taxa entre 6% e 6,5%, ainda considerada baixa para os padrões brasileiros.
Por outro lado, o mercado aquecido dificulta o trabalho do Banco Central no combate à inflação, reforçando a expectativa de juros elevados no início do próximo ano.
O recado dos dados é claro: o emprego no Brasil segue surpreendendo positivamente, mas impõe desafios importantes para a política monetária.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O que significa desemprego de 5,2%?
Significa que apenas 5,2% da força de trabalho está sem emprego e procurando uma vaga.
Esse é o menor desemprego da história?
Sim. É a menor taxa desde o início da série histórica do IBGE, em 2012.
Quais setores mais geraram empregos?
Administração pública, educação e saúde lideraram as contratações.
O desemprego baixo é sempre positivo?
É positivo para renda e consumo, mas pode pressionar a inflação e manter os juros altos.









