A sucessão na Walt Disney Company nunca foi simples. Mas, desta vez, o processo ganhou contornos que parecem saídos diretamente de “Succession”, tamanha a tensão, os egos envolvidos e o impacto bilionário da decisão.
Com o fim do contrato de Bob Iger previsto para 2026, a empresa precisa escolher o nome que vai comandar um dos impérios mais influentes do planeta — e essa escolha está longe de ser óbvia.
Por que escolher o novo CEO da Disney ficou tão complicado?
Porque a empresa vive um momento raro de fragilidade estruturada por três fatores:
- Mudança no modelo de negócios do entretenimento
- Erros da última sucessão, que virou caos interno
- Pressão dos investidores por um nome capaz de unir criatividade, tecnologia e lucro
Tudo isso fez o conselho colocar o processo de sucessão sob vigilância máxima, com reuniões, análises e visitas individuais dos candidatos.
Os nomes mais fortes da disputa: D’Amaro ou Walden?
A corrida está centrada entre dois executivos de peso — e cada um representa um futuro totalmente diferente para a empresa.
Josh D’Amaro: o favorito dos parques
Responsável por parques, cruzeiros, produtos e experiências, Josh D’Amaro é hoje o nome mais forte.
Os parques se tornaram a galinha dos ovos de ouro da Disney após a queda do lucro com TV e streaming, e D’Amaro foi quem liderou:
- Aumento de receitas
- Reajustes bem-sucedidos nos preços
- Melhoria na experiência dos visitantes
- Parcerias estratégicas, como o investimento de US$ 1,5 bi na Epic Games, criadora de Fortnite
Sua visão para o futuro da Disney passa por integrar games e tecnologia a tudo o que a empresa produz.
Dana Walden: a força criativa
Vinda da aquisição da Fox em 2019, Dana Walden é vista como a executiva mais criativa da casa.
Seus aliados defendem que conteúdo é o coração do império Disney — e ela tem currículo para comprovar:
- Conduziu negociações complexas com o YouTube TV
- Reestruturou o streaming e melhorou margens
- Administrou crises internas envolvendo talentos, como Jimmy Kimmel
- Tem profundo conhecimento sobre TV, filmes e produção audiovisual
A disputa entre Walden e D’Amaro simboliza a dúvida central do conselho:
O futuro da Disney será guiado pelo entretenimento ou pelo modelo comercial?
Há outros nomes na mesa — mas com menos força
Alguns executivos chegaram a ser cogitados:
- Alan Bergman, líder de Pixar, Lucasfilm e Avatar
- Jimmy Pitaro, chefe da ESPN
- Andrew Wilson, CEO da Electronic Arts (único nome externo considerado)
Apesar disso, tudo indica que a escolha será mesmo interna, evitando o trauma da última transição.
Quem escolhe o novo CEO?
O processo é conduzido por James Gorman, presidente do conselho — conhecido por liderar uma transição exemplar no Morgan Stanley.
A ordem é clara:
Nada de guerras internas. Nada de disputas que acabem em fuga de talentos.
Carolyn Everson, também no conselho, reforça que não há atrasos: a escolha sai no início de 2026.
Por que o legado de Bob Iger pesa tanto?
Iger não é qualquer CEO. Ele é uma lenda corporativa:
- Assumiu a Disney em 2005
- Transformou a empresa com as compras da Marvel, Pixar e Lucasfilm
- Fez a Disney encostar no topo do setor de entretenimento
- Chegou a cogitar se candidatar à presidência dos EUA
Mas sua primeira saída, em 2020, foi um desastre.
A sucessão fracassada com Bob Chapek
O conselho colocou Bob Chapek no comando.
Iger ficou na empresa.
O resultado foi:
- Conflito diário
- Racha interno
- Queda no desempenho da companhia
- Crise na pandemia
- Bolha do streaming
- Ambiente descrito como “ninho de cobras”
Chapek durou dois anos — e foi demitido.
Iger voltou, mais uma vez, como o “salvador do império”.
Agora, ele realmente precisa sair. E a Disney precisa acertar.
Conclusão
A sucessão de Bob Iger não é apenas troca de comando: é a definição do rumo de um império cultural que atravessa parques, filmes, streaming, músicas, jogos e marcas que fazem parte da vida de gerações.
O próximo CEO terá que equilibrar tradição, criatividade, tecnologia, lucros e emoção — tudo ao mesmo tempo.
E a escolha, quando sair, promete mexer com todo o mercado do entretenimento mundial.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Quando a Disney anunciará o novo CEO?
No início de 2026, segundo o conselho da empresa.
Quem são os principais candidatos à sucessão?
Josh D’Amaro e Dana Walden, ambos com visões muito diferentes para o futuro da Disney.
Por que a sucessão é tão complexa desta vez?
Por causa do legado de Bob Iger, da disputa interna e das transformações no setor de entretenimento.
A Disney pode escolher um CEO externo?
Pode, mas é improvável. O conselho já sinalizou preferência por nomes internos.
Por que Bob Iger voltou ao cargo após 2020?
Porque o sucessor escolhido, Bob Chapek, enfrentou crises graves e perdeu o apoio interno.
O que está em jogo com essa sucessão?
O modelo de negócios da Disney para a próxima década — parques, streaming, conteúdo, games e inovação.









