O dólar encerra 2025 como um dos grandes perdedores do mercado global. Depois de começar o ano próximo dos R$ 6, a moeda americana acumulou uma queda de quase 10% frente ao real, registrando um dos desempenhos mais fracos das últimas cinco décadas. E o movimento não ficou restrito ao Brasil: a perda de força foi vista também diante de outras moedas emergentes e do G10.
O comportamento surpreendeu até analistas mais experientes e levanta a grande pergunta que domina o mercado agora: o que esperar do dólar em 2026?
Por que o dólar caiu tanto em 2025
A fraqueza do dólar em 2025 tem explicações bem definidas, tanto no cenário interno quanto no externo. No Brasil, a Selic em 15% ao ano funcionou como um verdadeiro imã para investidores estrangeiros, impulsionando operações de carry trade e fortalecendo o real.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, o Federal Reserve entrou em um ciclo de encerramento do aperto monetário, reduzindo a atratividade da moeda americana. Esse diferencial de juros favoreceu moedas de mercados emergentes, que passaram a oferecer retornos mais atraentes.
Apesar disso, o real não se valorizou ainda mais por um motivo claro: o desequilíbrio fiscal brasileiro, que segue limitando a entrada de capital estrangeiro de longo prazo.
Volatilidade cresce com eleições no radar
Na segunda metade do ano, o dólar chegou a bater mínimas próximas de R$ 5,27, mas se afastou desse patamar à medida que o mercado passou a precificar as eleições presidenciais de 2026.
O início das movimentações políticas, incluindo anúncios de pré-candidaturas, aumentou a volatilidade e trouxe cautela aos investidores. Mesmo assim, a moeda americana ficou longe de recuperar os níveis do começo de 2025.
O que pode acontecer com o dólar em 2026
As projeções para 2026 indicam um cenário de transição e incerteza. Relatórios de grandes instituições internacionais apontam que o dólar pode começar o ano ainda relativamente forte, mas tende a perder força ao longo do calendário, especialmente após as eleições no Brasil.
O BNP Paribas projeta o dólar próximo de R$ 5,60 no terceiro trimestre, com possibilidade de queda para R$ 5,20 após outubro, caso o cenário político reduza as incertezas fiscais.
Já a Ágora Investimentos, braço do Bradesco (BBDC4), estima um dólar em torno de R$ 5,50 no fim de 2026, destacando que a fragilidade fiscal dos Estados Unidos pode manter a moeda americana pressionada por mais tempo.
Fraqueza global do dólar chama atenção dos bancos
Relatórios recentes mostram que 2025 marcou o pior semestre do dólar desde 1973, segundo análises do UBS. A expectativa é que essa fraqueza continue, impulsionada por cortes adicionais de juros nos EUA e pela diversificação global das reservas internacionais.
O cenário favorece moedas como o euro, além de ativos de mercados emergentes. A projeção de algumas casas aponta o câmbio EUR/USD em 1,20 até o fim de 2026, reforçando a visão de um dólar estruturalmente mais fraco.
A BlackRock também destacou que a perda de força da moeda americana beneficiou títulos de mercados emergentes em 2025 e alertou que a elevada dívida dos EUA e o avanço das stablecoins podem mudar de forma duradoura a dinâmica do dólar no mundo.
O que o investidor deve observar daqui para frente
Para quem investe, o recado é claro: 2026 será um ano decisivo. Política fiscal no Brasil, decisões do Fed, eleições presidenciais e o cenário global de juros serão determinantes para o rumo do câmbio.
Mais do que tentar prever números exatos, o investidor precisa acompanhar os fundamentos e estar preparado para volatilidade. Para entender como esse cenário pode impactar seus investimentos, continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que o dólar caiu tanto em 2025?
A combinação de juros altos no Brasil e o fim do aperto monetário nos EUA enfraqueceu a moeda americana.
O dólar pode voltar a subir em 2026?
Pode haver momentos de alta, especialmente no início do ano, mas o cenário base ainda aponta fragilidade.
As eleições no Brasil influenciam o câmbio?
Sim. A redução ou aumento da incerteza política afeta diretamente o fluxo de capital estrangeiro.
O dólar fraco beneficia quais investimentos?
Ativos de mercados emergentes, renda fixa local e ações podem se beneficiar desse ambiente.









