2026 tende a ser aquele tipo de ano “meio termo”: a economia não deve desandar, mas também não promete uma arrancada forte. A expectativa dominante é de crescimento moderado do PIB, com o setor de serviços segurando boa parte da atividade e obras de infraestrutura ajudando a dar tração. Só que existe um “porém” enorme nessa história: a inflação pode demorar a ceder, os juros devem ficar altos por mais tempo e o ano eleitoral costuma transformar qualquer notícia em combustível para oscilações no mercado.
Em outras palavras: o Brasil pode até avançar, mas o caminho deve ser cheio de solavancos.
O que deve puxar o PIB em 2026?
O cenário-base para 2026 aponta que serviços continuam como o motor principal. Comércio, serviços às famílias e segmentos ligados ao digital e ao financeiro tendem a sustentar a economia, junto com investimentos em infraestrutura.
A indústria, por outro lado, pode seguir em recuperação lenta. Mesmo que os juros comecem a cair ao longo do ano, o custo do capital ainda pesa e gargalos de competitividade seguem travando uma melhora mais rápida. Já o agronegócio tende a crescer, mas em um ritmo mais contido, dependendo do clima e dos preços internacionais após safras fortes recentes.
O consumo das famílias deve continuar positivo, só que com menos fôlego. A leitura é simples: mercado de trabalho ainda ajuda, mas os impulsos pós-pandemia vão perdendo força. Medidas que mexem com renda disponível e programas setoriais podem aliviar um pouco a desaceleração, mas dificilmente anulam o efeito de juros altos por muito tempo.
Por que a inflação pode continuar incomodando?
No Brasil, mora uma das principais dores de 2026. A desinflação pode até acontecer, mas de forma gradual. Alguns alimentos podem pressionar, a chamada inércia inflacionária tende a manter a temperatura elevada no começo do ano, e o câmbio continua como fator de risco.
Além disso, qualquer estímulo forte à atividade e à renda pode colocar mais pressão nos preços, especialmente em serviços. O problema é que, com inflação resistente, o Banco Central fica com menos espaço para cortar juros com velocidade.
O resultado prático para quem vive o dia a dia é conhecido: crédito mais caro, prestações mais pesadas e empresas mais cautelosas para investir.
Dólar em 2026: por que a volatilidade pode aumentar?
O câmbio deve seguir sensível a quatro coisas: diferencial de juros, percepção de risco fiscal, fluxo de capital e apetite global por risco. Só que 2026 adiciona um ingrediente especial: eleição presidencial.
Ano eleitoral costuma mexer com o humor do mercado porque qualquer sinal de mudança de rumo econômico entra no preço rápido. Pesquisas, discursos e promessas passam a afetar dólar, juros futuros e Bolsa em questão de minutos.
Fiscal: o calcanhar de Aquiles que pode mudar tudo
Se existe um tema que separa um 2026 “ok” de um 2026 “estressado”, esse tema é o fiscal. O mercado quer ver estabilidade na trajetória da dívida e sinais de compromisso real com metas. Quando esse compromisso parece fraco, cresce o prêmio de risco, o que encarece a rolagem da dívida e pressiona o câmbio. E isso, no fim, volta para a inflação.
O ponto sensível é que despesas obrigatórias continuam crescendo e, se as contas apertarem demais, a máquina pública pode ficar engessada adiante. Qualquer sinal de flexibilização constante de regras no Brasil tende a piorar a confiança.
Selic: quando começam os cortes e até onde pode ir?
O debate mais quente é o “quando”. O mercado tenta adivinhar o início do ciclo de cortes e, ao mesmo tempo, medir se o Banco Central vai conseguir reduzir juros sem reacender a inflação.
Se o fiscal ajudar e não houver choques fortes, cortes ao longo do ano se tornam mais plausíveis. Mas, se o câmbio abrir ou a inflação de serviços continuar firme, a Selic pode ficar alta por mais tempo do que muita gente gostaria.
Eleições no radar: por que 2026 pode ser um ano mais nervoso
Mesmo com a eleição marcada para outubro, a corrida começa bem antes. E historicamente esse período vem com: mais oscilação, aumento de prêmios de risco e menos apetite por prazos longos.
Só que existe um detalhe importante: o mercado no Brasil não reage apenas a “quem está na frente”. Ele reage ao que parece mais provável em termos de arcabouço fiscal, autonomia do Banco Central e previsibilidade das regras. Se o cenário apontar continuidade de responsabilidade econômica, o humor pode melhorar rápido. Se apontar incerteza fiscal, a tensão cresce.
No Brasilvest, você acompanha os movimentos que realmente mexem com o seu bolso, do dólar à Selic. Para não ser pego de surpresa em um ano que promete emoções fortes, continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
A economia do Brasil vai crescer em 2026?
A expectativa é de crescimento moderado, com serviços e infraestrutura sustentando o PIB, enquanto indústria e agro avançam mais lentamente
A inflação no Brasil deve cair em 2026?
Pode cair, mas de forma gradual, com riscos vindos de alimentos, câmbio e inércia inflacionária
A Selic vai cair em 2026?
Existe expectativa de cortes, mas o ritmo depende de inflação, câmbio e credibilidade fiscal
Por que o dólar pode ficar mais volátil em 2026?
Porque ano eleitoral aumenta incerteza e o câmbio reage rápido a pesquisas, sinais de política econômica e risco fiscal
O que mais preocupa o mercado para 2026?
O fiscal costuma ser o principal ponto, porque afeta confiança, juros, câmbio e expectativas de inflação








