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quinta-feira, janeiro 1, 2026
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Eleições em Mianmar após 5 anos de guerra levantam suspeitas e medo na população

Mianmar vai às urnas neste domingo após quase cinco anos mergulhado em guerra civil, repressão militar e colapso democrático. O pleito, organizado pela junta que tomou o poder em 2021, é apresentado como um passo rumo à reconciliação nacional, mas já nasce cercado de desconfiança, boicote e críticas internacionais.

Desde o golpe militar que derrubou o governo eleito, o país vive um dos conflitos internos mais violentos da Ásia. Para a ONU e diversas organizações internacionais, as eleições não passam de uma tentativa de legitimar um poder conquistado pela força.

Eleições sob controle militar e sem oposição real

A votação ocorre quase cinco anos depois do golpe liderado pelo general Min Aung Hlaing, que pôs fim a uma década de abertura democrática. Desde então, o país voltou a ser governado com mão de ferro pelos militares.

As eleições serão realizadas em três turnos ao longo de um mês, mas não ocorrerão em áreas controladas por grupos rebeldes. Em regiões inteiras, o simples ato de se opor ao processo pode levar à prisão.

Moradores relatam medo, apatia e desinteresse. Muitos afirmam que não acreditam no resultado, mas temem represálias caso não compareçam às urnas.

Aung San Suu Kyi segue presa e fora do processo

A principal líder democrática do país, Aung San Suu Kyi, permanece presa desde o golpe de fevereiro de 2021. Ela cumpre uma pena de 27 anos de prisão, resultado de múltiplas condenações que vão de corrupção a supostas violações sanitárias.

Seu partido, a Liga Nacional para a Democracia, foi dissolvido, assim como a maioria das legendas que participaram das eleições de 2020 — vencidas de forma esmagadora pelos civis e usadas como pretexto para o golpe.

Segundo familiares, Suu Kyi não reconhece o processo eleitoral como legítimo e vê as eleições como irrelevantes diante da repressão em curso.

ONU vê eleição como tentativa de “limpar imagem”

As Nações Unidas e diversos governos classificaram o pleito como não livre, não justo e não representativo. Para a ONU, a junta militar tenta apenas criar uma fachada institucional enquanto mantém o controle absoluto do país.

O secretário-geral António Guterres foi direto ao afirmar que não acredita que a eleição ajudará a resolver a crise em Mianmar.

Organizações independentes apontam que mais de 200 pessoas já foram processadas por supostamente tentar sabotar a votação, enquanto o número de presos políticos passa de 22 mil.

Guerra civil continua e violência não dá trégua

Desde o golpe, grupos pró-democracia se uniram a milícias étnicas armadas, dando início a uma guerra civil de grandes proporções. Dados internacionais indicam que cerca de 90 mil pessoas morreram desde então, somando civis, militares e combatentes.

O conflito também provocou 3,6 milhões de deslocados internos, enquanto metade da população vive abaixo da linha da pobreza, segundo a ONU.

Mesmo às vésperas das eleições, confrontos seguem ocorrendo, e a própria junta admite que não conseguirá realizar a votação em todas as circunscrições do país.

Partido pró-militar domina a disputa

Com a oposição dissolvida ou perseguida, o cenário eleitoral é amplamente favorável aos militares. O Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento, alinhado à junta, concentra mais de 20% dos candidatos, segundo observadores independentes.

Para críticos do regime, o resultado já está definido. A eleição serviria apenas para dar verniz legal a um governo autoritário, sem alterar a realidade do conflito.

O que está em jogo para o futuro do país

O pleito acontece em meio a uma ofensiva militar para retomar territórios antes do voto, o que reforça a leitura de que a prioridade não é a democracia, mas o controle político e territorial.

Para grande parte da população, as eleições não representam paz, estabilidade ou reconstrução, mas sim mais um capítulo de um conflito que parece longe do fim.

Para acompanhar os desdobramentos internacionais e entender como crises globais impactam a política e a economia mundial, continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

Por que as eleições em Mianmar são questionadas?

Porque ocorrem sob regime militar, sem oposição real e com repressão política intensa.

Aung San Suu Kyi participa do processo?

Não. Ela está presa desde 2021 e seu partido foi dissolvido.

A votação ocorrerá em todo o país?

Não. Áreas controladas por rebeldes ficarão fora do processo.

O que diz a ONU sobre as eleições?

A ONU afirma que o pleito não é legítimo e não ajudará a resolver a crise.

A guerra civil continua mesmo com as eleições?

Sim. Os confrontos seguem ativos e a violência não cessou.

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