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segunda-feira, janeiro 12, 2026
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Em 15 anos, só 15% das ações no Brasil realmente superaram a renda fixa e o dado assusta investidores

Se você investe ou já pensou em investir em ações, este dado merece atenção máxima. Um estudo da gestora Sharp Capital mostra que, ao longo dos últimos 15 anos, apenas 15% das ações negociadas no Brasil conseguiram bater, de fato, a renda fixa em termos reais. Em outras palavras, 85% dos papéis não compensaram o risco de sair do Tesouro.

A conclusão vem da carta mensal de janeiro da gestora, especializada em renda variável, que analisou todas as ações consideradas “investíveis” pelo fundo Sharp Equity Value desde 2010, acompanhando o desempenho desses papéis até 2025. O resultado ajuda a explicar por que tantos investidores se frustram com a Bolsa brasileira, mesmo em períodos de alta do Ibovespa.

Qual foi o critério usado para comparar ações e renda fixa?

A Sharp Capital utilizou como referência a NTN-B, hoje Tesouro IPCA+, acrescida de um prêmio real de 3% ao ano. Esse patamar é considerado o mínimo aceitável para compensar o risco de investir em ações, já que protege contra a inflação e ainda oferece ganho real com risco soberano.

Na avaliação da gestora, só há criação real de valor para o acionista quando a ação supera esse nível ao longo de um ciclo longo. Caso contrário, o investidor teria sido melhor remunerado ficando na renda fixa, com menos volatilidade e menos dor de cabeça.

Mesmo em um horizonte de 15 anos, tempo suficiente para atravessar diferentes ciclos econômicos, mudanças políticas e variações de juros, a esmagadora maioria das ações brasileiras ficou abaixo dessa linha mínima de retorno.

Por que investir em ações no Brasil é tão desafiador?

Segundo a Sharp, o grande vilão é o custo de capital estruturalmente elevado no Brasil. Juros altos por longos períodos tornam a régua de comparação extremamente difícil para as empresas listadas. Isso faz com que apenas negócios de altíssima qualidade, bem geridos e com decisões estratégicas acertadas consigam se destacar.

Esse cenário ajuda a entender por que, mesmo com o Ibovespa em níveis elevados, muitos investidores seguem migrando recursos para a renda fixa.

As poucas ações que realmente criaram riqueza

Apesar do cenário desafiador, algumas empresas conseguiram fazer o que a maioria não fez. Três nomes aparecem com frequência no topo da análise da Sharp quando o assunto é criação efetiva de valor ao longo de 15 anos: Mercado Livre (MELI34), Equatorial (EQTL3) e WEG (WEGE3).

A Equatorial se destacou pela disciplina na alocação de capital, devolvendo recursos aos acionistas quando não havia boas oportunidades e sendo paciente para investir em privatizações complexas, que afastavam concorrentes.

A WEG seguiu uma estratégia contracíclica, investindo em segmentos industriais considerados maduros ou pouco atrativos em determinados momentos, colhendo retornos elevados quando o ciclo virou.

Já o Mercado Livre apostou no longo prazo, mesmo sacrificando resultados imediatos. Decisões como a ampliação da logística e o frete grátis ajudaram a criar escala, fortalecer barreiras competitivas e consolidar a empresa como referência na América Latina.

Perder valor virou regra para muitas ações

Se os casos de sucesso são raros, os exemplos de destruição de valor são numerosos. O estudo aponta que cerca de 20% das ações investíveis perderam mais de 90% do valor real no período analisado.

Entre os exemplos citados estão Casas Bahia (BHIA3), Oi (OIBR3), Gol (GOLL4), Lojas Americanas (AMER3) e Gafisa (GFSA3). Segundo a Sharp, se o histórico se repetir, uma em cada cinco empresas listadas atualmente pode colapsar nos próximos 15 anos, inclusive algumas bastante conhecidas do público.

Identificar empresas com risco estrutural elevado é tão importante quanto encontrar as poucas vencedoras.

O que esse estudo ensina ao investidor?

O levantamento reforça uma lição dura, mas essencial: investir em ações no Brasil exige seleção rigorosa, visão de longo prazo e consciência de risco. Comprar a Bolsa como um todo não garante retorno acima da renda fixa, e decisões baseadas apenas em modismos podem sair muito caras.

Para quem quer aprender a filtrar melhor oportunidades, entender riscos e acompanhar análises que vão além do óbvio, vale continuar navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

Por que tão poucas ações batem a renda fixa no Brasil?

Porque o custo de capital é alto e muitas empresas não conseguem gerar retorno suficiente ao longo do tempo.

Qual foi a referência de renda fixa usada no estudo?

O Tesouro IPCA+ acrescido de um ganho real de 3% ao ano.

Quais ações se destacaram positivamente?

Mercado Livre, Equatorial e WEG foram os principais destaques.

Muitas empresas realmente perderam quase todo o valor?

Sim. Cerca de 20% das ações analisadas tiveram perdas superiores a 90% em termos reais.

Vale mais a pena investir só em renda fixa?

Depende do perfil. Ações podem gerar muito valor, mas exigem mais análise e tolerância ao risco.

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