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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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Enel implode em reputação e vira símbolo de descaso

A Enel Brasil (ENBR3) chegou ao fundo do poço da reputação. A concessionária de energia que atua em São Paulo registrou a pior nota da história do Claritor, com índice de 2,93, um patamar inédito e alarmante. E o mais importante: a crise não começou no apagão que deixou milhões sem luz. Ela apenas explodiu ali.

O que aconteceu em dezembro foi o estopim de um problema antigo, acumulado e mal resolvido, que agora se transformou em rejeição pública aberta.

A queda que expôs um colapso já em curso

Antes mesmo do ciclone que atingiu a Grande São Paulo, a reputação da Enel já era frágil. No dia 9 de dezembro, a nota estava em 3,84, um nível já considerado ruim.

No dia seguinte, com a ventania histórica e mais de 2 milhões de pessoas sem energia, a reputação despencou 0,91 ponto em apenas 24 horas, atingindo 2,93. Esse foi o ponto de ruptura: a insatisfação crônica virou ódio coletivo.

Nos dias seguintes houve leve recuperação — chegando a 4,1 no dia 15 —, mas ainda abaixo do nível anterior ao apagão, mostrando que a confiança não voltou.

A crise é gigante — e totalmente viral

Os números escancaram a dimensão do problema. Em apenas 14 dias, a Enel foi citada 14.125 vezes nas redes sociais, com 58% das menções negativas.

Essas críticas negativas alcançaram mais de 11 milhões de visualizações, com alto nível de engajamento. Não se trata de barulho passageiro: o público vê, reage e compartilha.

O dado mais revelador é que 99% das menções vieram do X (antigo Twitter). Ou seja, não é uma crise criada pela mídia. É uma revolta orgânica, espontânea e coletiva.

Quando os dados traduzem a raiva

A análise das palavras mais usadas nas postagens não deixa espaço para interpretação suave. Termos como apagão, ódio, crise, falha, multa, descaso, ineficiência, dano e hostilidade dominam o debate.

Isso mostra que a crise deixou de ser técnica. Não é mais só sobre falta de energia. É sobre desprezo percebido, má gestão e desrespeito com o consumidor.

Quando uma marca passa a ser associada a sentimentos como ódio e hostilidade, o problema já ultrapassou qualquer nota explicativa.

Apagões recorrentes e multas que viraram rotina

O apagão de dezembro foi apenas mais um. Em dois anos, a Enel acumulou cinco grandes apagões. Paralelamente, soma R$ 404 milhões em multas aplicadas pela Aneel, sendo 85% desse valor concentrado nos últimos três anos.

O agravante é que:

  • apenas duas multas foram pagas
  • duas estão judicializadas
  • uma segue em recurso

A leitura do mercado e da sociedade é clara: a empresa prefere recorrer do que corrigir.

Após o apagão recente, o Procon-SP aplicou nova multa, acima de R$ 14 milhões, e o governo federal chegou a ameaçar a revogação da concessão.

O que significa uma reputação de 2,93?

Não é apenas um número. É um colapso de confiança. Nenhuma outra empresa monitorada pelo Claritor atingiu esse nível.

O mais simbólico é que a crise não surgiu do nada. Ela já estava ali, latente, alimentada por:

  • falhas recorrentes
  • atendimento deficiente
  • multas ignoradas
  • falta de comunicação clara

O ciclone apenas tornou visível o que já era insustentável.

Recuperação real ou só cansaço do público?

A melhora gradual da nota nos dias seguintes não significa que o problema foi resolvido. Significa apenas que a indignação perde força com o tempo, não que a confiança voltou.

A Enel terminou o período com reputação ainda inferior à registrada antes do apagão, mostrando que a ferida segue aberta.

A crise que não dá mais para varrer para baixo do tapete

A Enel não enfrenta apenas uma crise de imagem. Enfrenta uma rejeição pública massiva, amplificada pelas redes sociais e sustentada por um histórico difícil de ignorar.

Neste ponto, a discussão deixou de ser “como melhorar a reputação” e passou a ser como manter a concessão e a própria sobrevivência operacional.

Para acompanhar análises críticas, entender riscos regulatórios e o impacto real de crises corporativas no mercado, continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

Por que a reputação da Enel caiu tanto?

Porque o apagão expôs problemas antigos, como falhas recorrentes e multas ignoradas.

A crise começou no apagão?

Não. O apagão foi apenas o gatilho de uma insatisfação já acumulada.

A Enel pode perder a concessão?

Existe risco. O governo federal já sinalizou essa possibilidade se falhas persistirem.

A recuperação da nota indica melhora real?

Não necessariamente. Pode refletir apenas a diminuição da revolta ao longo do tempo.

Isso afeta investidores?

Sim. Crises reputacionais e regulatórias aumentam riscos e incertezas.

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