A Enel Brasil (ENBR3) chegou ao fundo do poço da reputação. A concessionária de energia que atua em São Paulo registrou a pior nota da história do Claritor, com índice de 2,93, um patamar inédito e alarmante. E o mais importante: a crise não começou no apagão que deixou milhões sem luz. Ela apenas explodiu ali.
O que aconteceu em dezembro foi o estopim de um problema antigo, acumulado e mal resolvido, que agora se transformou em rejeição pública aberta.
A queda que expôs um colapso já em curso
Antes mesmo do ciclone que atingiu a Grande São Paulo, a reputação da Enel já era frágil. No dia 9 de dezembro, a nota estava em 3,84, um nível já considerado ruim.
No dia seguinte, com a ventania histórica e mais de 2 milhões de pessoas sem energia, a reputação despencou 0,91 ponto em apenas 24 horas, atingindo 2,93. Esse foi o ponto de ruptura: a insatisfação crônica virou ódio coletivo.
Nos dias seguintes houve leve recuperação — chegando a 4,1 no dia 15 —, mas ainda abaixo do nível anterior ao apagão, mostrando que a confiança não voltou.
A crise é gigante — e totalmente viral
Os números escancaram a dimensão do problema. Em apenas 14 dias, a Enel foi citada 14.125 vezes nas redes sociais, com 58% das menções negativas.
Essas críticas negativas alcançaram mais de 11 milhões de visualizações, com alto nível de engajamento. Não se trata de barulho passageiro: o público vê, reage e compartilha.
O dado mais revelador é que 99% das menções vieram do X (antigo Twitter). Ou seja, não é uma crise criada pela mídia. É uma revolta orgânica, espontânea e coletiva.
Quando os dados traduzem a raiva
A análise das palavras mais usadas nas postagens não deixa espaço para interpretação suave. Termos como apagão, ódio, crise, falha, multa, descaso, ineficiência, dano e hostilidade dominam o debate.
Isso mostra que a crise deixou de ser técnica. Não é mais só sobre falta de energia. É sobre desprezo percebido, má gestão e desrespeito com o consumidor.
Quando uma marca passa a ser associada a sentimentos como ódio e hostilidade, o problema já ultrapassou qualquer nota explicativa.
Apagões recorrentes e multas que viraram rotina
O apagão de dezembro foi apenas mais um. Em dois anos, a Enel acumulou cinco grandes apagões. Paralelamente, soma R$ 404 milhões em multas aplicadas pela Aneel, sendo 85% desse valor concentrado nos últimos três anos.
O agravante é que:
- apenas duas multas foram pagas
- duas estão judicializadas
- uma segue em recurso
A leitura do mercado e da sociedade é clara: a empresa prefere recorrer do que corrigir.
Após o apagão recente, o Procon-SP aplicou nova multa, acima de R$ 14 milhões, e o governo federal chegou a ameaçar a revogação da concessão.
O que significa uma reputação de 2,93?
Não é apenas um número. É um colapso de confiança. Nenhuma outra empresa monitorada pelo Claritor atingiu esse nível.
O mais simbólico é que a crise não surgiu do nada. Ela já estava ali, latente, alimentada por:
- falhas recorrentes
- atendimento deficiente
- multas ignoradas
- falta de comunicação clara
O ciclone apenas tornou visível o que já era insustentável.
Recuperação real ou só cansaço do público?
A melhora gradual da nota nos dias seguintes não significa que o problema foi resolvido. Significa apenas que a indignação perde força com o tempo, não que a confiança voltou.
A Enel terminou o período com reputação ainda inferior à registrada antes do apagão, mostrando que a ferida segue aberta.
A crise que não dá mais para varrer para baixo do tapete
A Enel não enfrenta apenas uma crise de imagem. Enfrenta uma rejeição pública massiva, amplificada pelas redes sociais e sustentada por um histórico difícil de ignorar.
Neste ponto, a discussão deixou de ser “como melhorar a reputação” e passou a ser como manter a concessão e a própria sobrevivência operacional.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que a reputação da Enel caiu tanto?
Porque o apagão expôs problemas antigos, como falhas recorrentes e multas ignoradas.
A crise começou no apagão?
Não. O apagão foi apenas o gatilho de uma insatisfação já acumulada.
A Enel pode perder a concessão?
Existe risco. O governo federal já sinalizou essa possibilidade se falhas persistirem.
A recuperação da nota indica melhora real?
Não necessariamente. Pode refletir apenas a diminuição da revolta ao longo do tempo.
Isso afeta investidores?
Sim. Crises reputacionais e regulatórias aumentam riscos e incertezas.









