A CPMI do INSS recebeu documentos que colocam novamente Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no centro de uma controvérsia política. Segundo reportagem divulgada pelo Poder360, dados encaminhados pela Polícia Federal ao colegiado apontam possíveis vínculos entre ele e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como figura-chave no esquema de fraudes contra beneficiários.
Os arquivos, de acordo com o veículo, incluem o depoimento de Edson Claro, ex-funcionário de Antunes. Ele teria relatado que Lulinha recebeu algo próximo a R$ 25 milhões, em moeda não especificada, além de uma suposta mesada mensal de cerca de R$ 300 mil. O relato também mencionaria viagens dos dois para Portugal, o que reforçou suspeitas de proximidade.
Apesar disso, a reportagem destaca que há divisão interna na Polícia Federal sobre como seguir com as apurações. Parte dos investigadores defende aprofundar o caso imediatamente, enquanto outra ala avalia que os indícios ainda são frágeis. Até agora, prevalece a interpretação de que não há comprovação de envolvimento direto de Lulinha nas fraudes, embora a relação com alguns investigados siga sendo analisada.
Todos os citados foram procurados e negam irregularidades.
A denúncia chega em um momento em que a CPMI discute formalmente a convocação de Fábio Luís para prestar esclarecimentos. Segundo o Poder360, o depoimento de Edson Claro à PF foi prestado em 29 de outubro e a proposta de ouvi-lo na CPMI chegou a ser cogitada, mas acabou barrada por parlamentares governistas à época.
O material obtido pela comissão inclui também conversas de WhatsApp de investigados, que mencionam preocupações sobre possível associação entre Lulinha e operações da World Cannabis, empresa ligada a Antunes e suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro oriundo de fraudes no INSS. A PF, porém, não identificou ligação direta de Fábio Luís com os descontos indevidos feitos em aposentadorias e benefícios.
Internamente, integrantes do Planalto teriam buscado interlocutores da CPMI antes da mudança de Lulinha para a Espanha, em julho, numa tentativa de evitar o que consideravam uma perseguição política.
Outro ponto mencionado pela reportagem envolve um Relatório de Inteligência Financeira do Coaf sobre Ricardo Bimbo Troccolli, secretário do PT, apontado como pagador de valores ao ex-contador da família Lula, João Muniz Leite. A investigação também cita conexões entre Antunes, Fábio Luís e Roberta Moreira Luchsinger, que, segundo a PF, discutia com o “Careca do INSS” possíveis maneiras de movimentar recursos suspeitos.
Relatórios do Coaf indicam que Roberta recebeu mais de R$ 1 milhão de Antunes. Através de seu advogado, ela afirmou que nunca participou de qualquer esquema envolvendo descontos do INSS, dizendo que sua atuação estava restrita a discussões sobre regulação do setor de canabidiol, sem resultado comercial. Ela ainda reforçou que mantém apenas relação pessoal com Fábio Luís e sua família. Já o advogado de Antunes declarou não reconhecer os dados e preferiu não comentar.
As informações intensificam a pressão sobre a CPMI, que deve decidir ainda hoje se avança com a convocação de Lulinha e de outros personagens envolvidos nas denúncias.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Lulinha é investigado diretamente pela PF?
Até o momento, não. A PF avalia que não há ligação direta dele com as fraudes, embora analise sua proximidade com investigados.
O que o ex-funcionário do “Careca do INSS” afirmou?
Ele citou valores supostamente repassados a Lulinha, incluindo montantes altos e pagamentos mensais, além de viagens que teriam ocorrido entre os dois.
A CPMI vai convocar Lulinha?
O requerimento deve ser votado ainda hoje e pode avançar, dependendo da articulação política.
O que é a World Cannabis citada na investigação?
É uma empresa ligada a Antunes e suspeita de ter sido usada para lavagem de dinheiro, segundo documentos enviados à CPMI.
Os envolvidos negam participação em irregularidades?
Sim. Todos negam qualquer relação com fraudes ou favorecimentos ilícitos.
O Coaf identificou transações suspeitas relacionadas ao caso?
Sim. Relatórios apontam pagamentos e movimentações financeiras envolvendo investigados, mas sem conclusão definitiva até agora.









