0.5 C
Nova Iorque
27.9 C
São Paulo
quinta-feira, fevereiro 12, 2026
spot_img

Ex-negociador diz que “batalha do agro” contra acordo UE-Mercosul é falsa

Em entrevista exclusiva à EXAME, John Clarke, ex-negociador da União Europeia (UE) para o acordo com o Mercosul, afirmou que a oposição do setor agrícola europeu à assinatura do tratado é mais uma retórica protecionista do que uma real ameaça para a agricultura europeia. Clarke, que foi responsável pela estruturação do acordo entre 2011 e 2023, explicou por que considera a “batalha do agro” como infundada e defendeu que o tratado será benéfico para ambas as partes.

O que está por trás da oposição do agro europeu?

Desde 2024, com o fortalecimento das negociações entre a UE e os países do Mercosul, a agricultura europeia, especialmente franceses e poloneses, tem protestado contra a possível concorrência com os produtos sul-americanos, principalmente carne bovina e frango. A principal alegação é que a importação dessas commodities mais baratas prejudicaria a competitividade dos produtores locais.

No entanto, para John Clarke, essa é uma falsa batalha. Segundo o ex-negociador, o acordo foi desenhado de forma que não libera setores sensíveis da agricultura europeia, garantindo que a concorrência não seja desleal. Ele afirma que as concessões em produtos como carne bovina e açúcar não afetarão a produção na UE.

O que o acordo garante para a Europa?

Clarke destaca que, para proteger a agricultura europeia, o acordo não liberaliza totalmente setores sensíveis, como a carne bovina. Esses setores serão regulados por cotizações anuais, que representam apenas 1% do consumo europeu, e essa liberalização será gradual, evitando impactos abruptos.

Além disso, o acordo inclui salvaguardas de emergência, permitindo que a importação desses produtos seja temporariamente suspensa se houver um aumento excessivo nas importações, o que ajuda a proteger a produção local sem restringir o comércio.

Como o acordo pode ser benéfico para a Europa?

Clarke argumenta que o acordo é fundamental para a União Europeia em um contexto geopolítico de crescimento do protecionismo mundial. A comunidade europeia precisa de novos parceiros comerciais confiáveis, como o Mercosul, para diversificar suas relações e reduzir a dependência de potências como EUA e China.

Ele acredita que, em um ambiente de tensões comerciais, esse tipo de parceria fortalece a resiliência da economia da UE, criando novas oportunidades comerciais com mercados em expansão no Mercosul.

O que impede a assinatura do acordo?

Embora a assinatura do acordo esteja marcada para o dia 20 de dezembro, Clarke acredita que o Parlamento Europeu pode atrasar a ratificação. A aprovação final do tratado, que pode ocorrer apenas na Páscoa de 2026, depende de uma divisão de opiniões dentro do Parlamento, com grande oposição de deputados que são mais protetores dos interesses locais.

A questão das salvaguardas no acordo

O ex-negociador da UE também abordou o mecanismo de salvaguardas, que pode ser acionado se as importações do Mercosul aumentarem muito. Clarke minimizou os riscos de que as salvaguardas sejam aplicadas de forma prejudicial ao Mercosul, afirmando que a Comissão Europeia é cautelosa ao utilizá-las. Ele ainda enfatizou que a probabilidade de uma aplicação equivocada é baixa, já que os setores sensíveis já estão limitados pelas cotas.

O impacto no Mercosul

Embora as salvaguardas possam ser acionadas em situações específicas, Clarke acredita que o impacto negativo para o Mercosul será mínimo. Mesmo que investigações de salvaguardas sejam feitas, ele acredita que o impacto no comércio será pequeno e que não haverá grandes prejuízos para o Brasil e outros países do bloco sul-americano.

Como os agricultores devem enxergar o acordo?

Para Clarke, os agricultores europeus devem perceber que o acordo com o Mercosul não ameaça a sua produção. As concessões são limitadas, gradativas e controladas, e o Mercosul traz benefícios importantes para a economia europeia no longo prazo, especialmente no que se refere à diversificação de mercados e ao fortalecimento das relações comerciais com países em crescimento.

Continue navegando pelo Brasilvest para se manter informado sobre os principais acordos comerciais e suas implicações econômicas.

Perguntas Frequentes (FAQs)

O que é o acordo UE-Mercosul?

É um tratado comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) para reduzir tarifas e aumentar o comércio.

O acordo ameaça a agricultura europeia?

Segundo John Clarke, não. O acordo protege setores sensíveis e inclui cotas que limitam a competição com produtos do Mercosul.

O que são as salvaguardas no acordo?

São mecanismos que permitem suspender temporariamente as importações se houver um aumento excessivo, protegendo a produção local.

O acordo pode ser assinado em dezembro?

Clarke acredita que o acordo pode ser assinado, mas a ratificação pelo Parlamento Europeu pode demorar até 2026.

Quais são os benefícios para o Mercosul?

O acordo oferece novos mercados, redução de tarifas e fortalecimento das relações comerciais com a Europa.

spot_img

Artigos Relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Fique Conectado
20,145FãsCurtir
51,215SeguidoresSeguir
23,456InscritosInscrever
Publicidadespot_img

Veja também

Brasilvest
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.