Os FIDCs deixaram de ser um produto restrito a grandes fortunas e passaram a atrair o investidor comum em velocidade recorde. Em apenas um ano, o número de investidores de varejo nesses fundos saltou de 2,4 mil para 34,3 mil contas, um avanço de 1.329%, segundo dados da Anbima.
Na prática, isso significa que cada vez mais pessoas físicas estão buscando alternativas de renda fora do tradicional, aproveitando a abertura regulatória e a busca por retornos mais atrativos em um ambiente de juros ainda elevados.
Quem domina os FIDCs hoje e onde o varejo entra
Apesar do crescimento explosivo, o varejo ainda não é maioria. Investidores qualificados, com pelo menos R$ 1 milhão em aplicações, seguem dominando o segmento e representam mais de 72% das contas, com cerca de 239,7 mil investidores em um universo total de 333 mil.
Já os investidores profissionais, com patrimônio financeiro acima de R$ 10 milhões, somam 31,5 mil contas, praticamente empatados com o varejo. Mesmo assim, o ritmo de entrada do pequeno investidor chama atenção e muda o perfil do mercado.
Patrimônio dos FIDCs caminha para R$ 1 trilhão
O crescimento não aparece só no número de investidores. O patrimônio líquido dos FIDCs chegou a R$ 741 bilhões, após um aumento de R$ 168 bilhões em 12 meses, alta de 22%.
Mantido esse ritmo, o mercado de fundos de direitos creditórios pode se aproximar da marca de R$ 1 trilhão já em 2026, consolidando os FIDCs como uma das classes mais relevantes da indústria de investimentos no Brasil.
O que mudou na regra e destravou o varejo
O principal gatilho dessa explosão foi a mudança regulatória feita pela Comissão de Valores Mobiliários em 2023. Até então, FIDCs eram exclusivos para investidores qualificados e profissionais.
Com a nova norma, os fundos passaram a poder ser ofertados ao investidor em geral, desde que respeitadas regras de proteção, como o acesso restrito às cotas sêniores, consideradas menos arriscadas.
Esse ajuste abriu um mercado inteiro que estava fechado ao varejo e criou uma nova avenida de crescimento.
Por que os FIDCs ficaram tão atraentes
Além da regulação, o interesse do varejo cresce porque os FIDCs permitem exposição a crédito estruturado, algo antes acessível apenas a grandes investidores. Esses fundos compram direitos de crédito, como recebíveis de empresas, e transformam essas operações em investimentos.
Na prática, o fundo antecipa recursos para empresas que precisam de caixa e repassa aos cotistas os juros embutidos nessas operações. O investidor ganha com a remuneração do crédito, assumindo o risco de inadimplência.
Entenda os tipos de cotas e os riscos
Os FIDCs são estruturados com diferentes tipos de cotas, que definem quem ganha primeiro e quem absorve prejuízos em caso de inadimplência.
As cotas subordinadas júnior são as primeiras a absorver perdas, mas oferecem potencial de retorno maior. As mezzanino ficam em um meio-termo, com risco e retorno intermediários.
Já as cotas sêniores, únicas liberadas ao varejo, têm prioridade no recebimento e maior proteção. Ainda assim, o risco existe se a inadimplência for tão alta a ponto de consumir toda a proteção das cotas subordinadas.
Mais gestoras e mais ofertas no mercado
O número de gestoras especializadas em FIDCs também cresceu, passando de 372 para 426 casas em um ano. Além disso, entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, houve R$ 90,1 bilhões em emissões, com outros fundos de investimento figurando como os principais compradores.
Esse movimento reforça a profissionalização do setor e amplia o leque de produtos disponíveis.
O que o investidor precisa entender antes de entrar
O crescimento rápido não elimina a necessidade de cautela. FIDCs não são renda fixa tradicional, exigem análise da estrutura, qualidade do crédito, tipo de cota e nível de risco.
Para quem entende o produto, podem fazer sentido como diversificação. Para quem entra sem estudar, o risco pode ser maior do que parece.
Se você quer entender melhor como funcionam os FIDCs, os riscos reais e se esse tipo de investimento faz sentido para o seu perfil, continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
O que são FIDCs?
São fundos que investem em direitos creditórios, como recebíveis de empresas.
Por que o número de investidores de varejo disparou?
Por causa da mudança regulatória que liberou o acesso ao investidor comum.
FIDC é renda fixa?
Não exatamente. É crédito estruturado, com risco de inadimplência.
O varejo pode investir em qualquer FIDC?
Não. Apenas em cotas sêniores, que oferecem maior proteção.
FIDCs podem render mais que renda fixa tradicional?
Podem, mas envolvem riscos maiores e exigem análise cuidadosa.









