Na última reunião de política monetária do ano, o Federal Reserve (Fed) confirmou o que a maior parte do mercado já previa: um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros dos Estados Unidos, levando o intervalo para 3,50% a 3,75% ao ano.
O alívio monetário dá continuidade ao ciclo iniciado em setembro, após meses de estabilidade, mas o tom do comunicado mostrou que a autoridade monetária segue cautelosa diante da incerteza econômica.
Mesmo com a redução, o Fed destacou que a inflação continua acima da meta de 2%, que o desemprego subiu levemente e que o ritmo da economia tem sido moderado. Os dirigentes também ressaltaram que os riscos para o mercado de trabalho aumentaram — um dos motivos para manter o plano de flexibilização.
O corte de juros era praticamente garantido — mas não houve consenso
Segundo o CME FedWatch, 89% das apostas já apontavam para esse corte de 0,25 p.p., o que confirma que o movimento era amplamente esperado.
Ainda assim, a decisão não foi unânime:
A FAVOR DO CORTE:
Jerome Powell, John Williams, Michael Barr, Michelle Bowman, Susan Collins, Lisa Cook, Philip Jefferson, Alberto Musalem e Christopher Waller.
CONTRA:
- Stephen Miran queria um corte maior, de 0,50 p.p. Austan Goolsbee e Jeffrey Schmid preferiam manter a taxa.
As divergências reforçam como o cenário econômico permanece incerto — e como a leitura dos dados econômicos está longe de ser unificada.
O que o Fed disse sobre a economia dos EUA?
No comunicado, o banco central destacou pontos importantes:
• atividade econômica: cresce em ritmo moderado
• mercado de trabalho: criação de vagas desacelerou; desemprego subiu
• inflação: segue acima da meta e voltou a subir no início do ano
• riscos: incerteza elevada; aumento dos riscos negativos para o emprego
Powell deve detalhar esses pontos na entrevista coletiva marcada para 16h30.
As projeções para 2026 surpreenderam o mercado?
Sim. O gráfico de pontos (dot plot) mostrou uma divisão incomum entre os dirigentes:
- 4 integrantes veem juros estáveis, entre 3,50% e 3,75%
- 4 integrantes projetam juros entre 3,25% e 3,50%
- 4 integrantes estimam taxas entre 3% e 3,25%
- 3 membros preveem alta de 0,25 p.p., levando a taxa a 3,75%–4%
- 2 dirigentes esperam juros mais baixos, entre 2,75% e 3%
Ou seja: não há consenso nem sobre corte, nem sobre manutenção, nem sobre alta — algo que reforça o grau de incerteza da economia americana.
Inflação e PIB: projeções também mudaram
O Fed revisou suas projeções:
Inflação (PCE):
- 2025: caiu de 3% para 2,9%
- 2026: caiu de 2,6% para 2,4%
PIB:
- 2025: subiu de 1,6% para 1,7%
- 2026: avançou de 1,8% para 2,3%
Desemprego:
- 4,5% em 2025
- 4,4% em 2026
Esses números mostram um cenário mais otimista para o crescimento, mas ainda sensível para a inflação.
Por que o corte do Fed importa tanto para o Brasil e para o mundo?
A política monetária dos EUA influencia:
- fluxo de capital global
- dólar
- juros nos mercados emergentes
- preço das commodities
- decisões de bancos centrais ao redor do mundo
Com o corte, o apetite por risco tende a aumentar — mas as projeções divididas e a inflação ainda elevada mantêm investidores atentos.
Conclusão: o que esperar após o último corte do ano?
O Fed encerra 2025 com um corte esperado, mas com mensagem de cautela.
O banco central confirma que está disposto a flexibilizar mais, mas deixa claro que tudo dependerá dos dados — especialmente inflação e mercado de trabalho.
Enquanto isso, o mercado seguirá interpretando a fala de Powell, o dot plot dividido e as projeções revisadas. O tom da coletiva pode definir o rumo dos ativos nas próximas semanas.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Qual é a nova taxa de juros dos EUA?
O intervalo agora está entre 3,50% e 3,75% ao ano, após corte de 0,25 p.p.
O corte era esperado pelo mercado?
Sim. Cerca de 89% das apostas já indicavam esse movimento.
Por que houve divergência entre os dirigentes do Fed?
Porque a leitura sobre inflação, mercado de trabalho e crescimento ainda está muito dividida.
O que o Fed projeta para 2026?
As projeções estão dispersas: alguns preveem juros estáveis, outros cortes e alguns até alta.
A inflação está controlada?
Ainda não. Ela segue acima da meta de 2%, embora as projeções para 2026 tenham sido revisadas para baixo.
Por que essa decisão impacta o Brasil?
Porque mudanças nos juros americanos afetam câmbio, investimentos, commodities e decisões do Banco Central brasileiro.









