O Brasil intensifica o debate sobre criptomoedas. Mas, apesar do interesse crescente, o governo mantém postura prudente com relação a uma reserva pública em Bitcoin. A avaliação recente veio por meio do chefe de gabinete da vice-presidência, Pedro Guerra.
Por que o governo age com cautela?
Segundo Pedro Guerra, o governo encara o momento atual como uma “arrumação da casa” no universo das criptos. Instituições como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Receita Federal do Brasil e o Banco Central do Brasil (BC) ainda navegam entre resistência e adaptação para enquadrar criptoativos — como o Bitcoin — em normas contábeis, tributárias e operacionais.
Guerra afirma que há consciência crescente sobre o valor dos criptoativos, mas ainda existe “ruído e desconfiança” quanto ao uso para lavagem de dinheiro ou ilícitos. Além disso, os padrões tradicionais de contabilidade têm dificuldade de lidar com ativos desse tipo. Por isso, o governo prefere avançar com cautela e sempre balanceando inovação com segurança institucional.
Criptoativos seguem na mira — mas com foco em stablecoins
Na visão de Pedro Guerra, o foco regulatório nos próximos anos deve se voltar mais a stablecoins do que ao próprio Bitcoin. Ele entende as stablecoins como a ponte entre o sistema fiduciário tradicional e os ativos digitais.
Ou seja: embora o Bitcoin ganhe atenção, a prioridade do governo será garantir infraestrutura legal, segurança e regulação clara para ativos que funcionem como moedas digitais — algo que impacta diretamente transações cotidianas e a economia como um todo.
Reserva estratégica em Bitcoin? Não agora
Uma das perguntas mais comentadas era se o Brasil pretende formar uma reserva estatal em Bitcoin — ideia que vem sendo debatida em audiências públicas do Legislativo.
Para Guerra, porém, esse movimento não está nos planos no curto prazo. Ele considera que ainda há “muito desconhecimento” sobre o ativo: sua volatilidade, implicações contábeis e riscos sistêmicos tornam a adoção como reserva uma decisão complexa.
Contudo, ele define o debate como “extremamente positivo”, porque amplia a discussão sobre finanças, soberania econômica e o papel do Estado na era digital.
Adoção de Bitcoin por empresas: tendência irreversível
Apesar da cautela estatal, o setor privado acelera a adoção. Empresas nacionais e internacionais vêm incorporando o Bitcoin em suas tesourarias — prática que, segundo Guerra, se torna irreversível. Ele acredita que o Brasil tem tudo para se tornar um dos mercados mais relevantes da América Latina no ecossistema cripto.
Guerra atribui esse movimento a fatores como: a busca de jovens por alternativas de proteção financeira, desconfiança no sistema tradicional de moeda, e o desejo por ativos com menos interferência estatal.
Além disso, ele acredita que, com o tempo, a confiança no Bitcoin vai crescer à medida que a sociedade educa-se financeiramente e compreende o potencial dos criptoativos além de golpes e especulação.
O que isso significa para quem acompanha cripto no Brasil?
- O governo mantém postura conservadora, priorizando regulação e segurança jurídica antes de qualquer decisão estratégica envolvendo Bitcoin.
- O foco regulatório deve atingir principalmente stablecoins — o que pode alterar como usamos cripto em pagamentos e transferências.
- Empresas seguem abraçando o Bitcoin — o que deve consolidar o mercado institucional de criptoativos no Brasil.
- A criação de uma reserva estatal em Bitcoin parece improvável no curto prazo, mas o debate acendeu a discussão sobre soberania financeira e modernização econômica.
Conclusão
O Brasil vive um momento de transição com as criptomoedas. De um lado, há o governo tentando mapear riscos, adaptar estruturas e construir marcos regulatórios; de outro, empresas e cidadãos querem usar o Bitcoin como hedge, investimento ou alternativa financeira.
No meio disso, ganha força o campo da stablecoin — buscando unir confiança estatal e flexibilidade do universo cripto. Enquanto isso, a ideia de reserva pública em Bitcoin fica para o futuro.
O mais claro: o país caminha com cautela, mas com os olhos no futuro da economia digital. E o debate sobre cripto vai crescer ainda mais nas próximas semanas.
Acompanhe aqui no Brasilvest para não perder os próximos capítulos dessa história.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que o governo brasileiro pensa sobre o Bitcoin?
O governo enxerga o Bitcoin com cautela, preferindo primeiro regular o mercado de cripto e garantir segurança jurídica antes de considerá-lo reserva de valor pública.
Por que stablecoins têm prioridade regulatória?
Porque as stablecoins funcionam como ponte entre o sistema financeiro tradicional e o mundo cripto — facilitando pagamentos diários, transferências e adoção institucional.
O Brasil vai formar reserva estatal em Bitcoin?
Não no curto prazo. Segundo autoridades, há muitas dúvidas e riscos — contábeis, regulatórios e de volatilidade — para transformar o Bitcoin em reserva oficial.
Empresas já compram Bitcoin no Brasil?
Sim. Muitas companhias nacionais já incorporaram BTC em suas tesourarias, e esse movimento deve crescer com o tempo.
Isso muda a segurança jurídica para quem investe em cripto?
Sim. A regulação crescente e a atenção estatal devem trazer mais clareza sobre tributação, declaração e uso de criptomoedas, reduzindo incertezas e riscos para investidores e empresas.
Por que o governo ainda reluta em adotar o Bitcoin oficialmente?
Por causa da volatilidade, da falta de padronização contábil/trIBUTária e das preocupações com uso ilegal de criptoativos — tudo isso pesa contra uma adoção oficial imediata.









