4.9 C
Nova Iorque
24.2 C
São Paulo
domingo, novembro 30, 2025
spot_img

Ibovespa perdeu fôlego? Por que uma gestora de US$ 2,5 bi está pisando no freio

Siga-nos no Instagram: @brasilvest.news

O ano parecia condenado para o Ibovespa (IBOV). Juros em 15% ao ano, dólar acima de R$ 6 e um cenário global instável formavam a tempestade perfeita. Só que a virada veio de fora: o sinal de queda nos juros dos EUA fez o investidor estrangeiro despejar R$ 31,5 bilhões na bolsa brasileira em 2025.

Mesmo assim, nem todos estão convencidos de que o rali é sustentável. A gestora suíça Mirabaud, que administra US$ 2,5 bilhões em fundos no Brasil, decidiu manter uma postura de “pé no chão”.

Mas por quê?

A Mirabaud aumentou a exposição à bolsa — mas não está confiante

Segundo Pedro Vianna, diretor de distribuição da gestora, o movimento atual da bolsa não representa uma tendência estrutural, mas um ciclo passageiro. Por isso, a casa aumentou a posição em renda variável, mas apenas de forma tática, não de longo prazo.

Para ele, a volatilidade extrema do mercado brasileiro torna difícil uma estratégia de valorização contínua:

“Se Warren Buffett fosse brasileiro, talvez não tivesse construído o patrimônio que construiu nos EUA. Aqui, os ciclos de alta e baixa são muito mais intensos.”

A alta da bolsa não é mérito só do Brasil — e isso preocupa

Vianna lembra que o rali recente tem muito menos a ver com o Brasil e muito mais com um movimento global. A desvalorização do dólar, somada às decisões do governo Trump e à rotação setorial, levou vários emergentes a brilhar.

Exemplos:

  • Bolsa do México: +25%
  • Bolsa da Colômbia: +40%
  • Ibovespa em dólar: +40%

Ou seja, outros mercados latinos também dispararam.

2026 pode trazer mais altas? Só se o Brasil fizer o dever de casa

Mesmo com casas mais otimistas — como o Morgan Stanley, que vê o IBOV em 200 mil pontos em 2026 —, a Mirabaud prefere cautela.

Segundo a gestora, sem:

  • reformas estruturais,
  • sinal fiscal forte
  • ambiente político estável,

não há combustível para um novo ciclo de valorização.

E há ainda um grande fator de incerteza:

as eleições presidenciais de 2026.

Vianna lembra que prever eleição no Brasil é quase impossível:

“O país já viu de tudo — de facada a queda de avião. É extremamente difícil projetar cenário.”

Com juros altos, a renda fixa segue sendo a “queridinha” da gestora

Enquanto a bolsa inspira cautela, a renda fixa continua sendo o carro-chefe da Mirabaud. Mesmo com a expectativa de queda nas taxas, a casa não vê juros abaixo de dois dígitos tão cedo.

Um dos destaques são as NTN-Bs (títulos atrelados à inflação):

  • juros reais perto de 8% ao ano
  • boa proteção em cenário incerto
  • oportunidade de alongar duration para capturar possíveis cortes

Ainda assim, os pós-fixados seguem atrativos, já que a gestora não acredita em uma Selic abaixo de 10% em breve.

E as big techs? Nem a queda bilionária assustou a gestora

As gigantes de tecnologia perderam US$ 1,75 trilhão em valor de mercado entre outubro e novembro — o equivalente a duas B3 (B3SA3) — após temores de bolha e fortes correções.

Mesmo assim, a Mirabaud mantém aposta no setor.

Vianna afirma que, apesar de os múltiplos estarem altos, o crescimento projetado está se concretizando e as empresas possuem:

  • muito caixa
  • escalabilidade
  • capacidade de atravessar ciclos ruins

Segundo ele, o cenário não lembra a bolha de 2000:

“Hoje a geração de caixa é real. Essa é a grande diferença.”


Conclusão

Apesar do fluxo estrangeiro e da forte recuperação de 2025, a visão da Mirabaud é clara: o Ibovespa (IBOV) precisa de reformas, solidez fiscal e um ambiente político mais previsível para continuar subindo de forma consistente.

Enquanto isso não acontece, a gestora segue focada na renda fixa — e investindo em ações apenas com estratégia tática, não estrutural.

Quer acompanhar os próximos movimentos do mercado e entender antes dos outros o que pode mexer com a Bolsa? Continue navegando pelo Brasilvest.


Perguntas Frequentes (FAQs)

Por que a Mirabaud está cautelosa com o Ibovespa?

A gestora acredita que a alta atual é cíclica, não estrutural, e que faltam reformas e segurança fiscal para sustentar novas valorizações.

O fluxo estrangeiro continua forte em 2025?

Sim. A bolsa recebeu R$ 31,5 bilhões, impulsionados pela expectativa de corte de juros nos EUA.

As eleições de 2026 podem influenciar o Ibovespa?

Muito. A incerteza eleitoral aumenta a volatilidade e dificulta projeções de longo prazo.

A renda fixa ainda é atrativa?

Sim. Com juros altos, NTN-Bs e pós-fixados seguem oferecendo retornos robustos.

As big techs ainda são boas oportunidades?

Para a Mirabaud, sim. Mesmo após quedas fortes, o setor ainda tem forte geração de caixa e potencial de crescimento.

O Ibovespa pode atingir 200 mil pontos em 2026?

Algumas casas, como o Morgan Stanley, acreditam que sim. Mas a Mirabaud vê esse cenário como pouco provável sem avanços estruturais.

spot_img

Artigos Relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Fique Conectado
20,145FãsCurtir
51,215SeguidoresSeguir
23,456InscritosInscrever
Publicidadespot_img

Veja também

Brasilvest
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.