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O ano parecia condenado para o Ibovespa (IBOV). Juros em 15% ao ano, dólar acima de R$ 6 e um cenário global instável formavam a tempestade perfeita. Só que a virada veio de fora: o sinal de queda nos juros dos EUA fez o investidor estrangeiro despejar R$ 31,5 bilhões na bolsa brasileira em 2025.
Mesmo assim, nem todos estão convencidos de que o rali é sustentável. A gestora suíça Mirabaud, que administra US$ 2,5 bilhões em fundos no Brasil, decidiu manter uma postura de “pé no chão”.
Mas por quê?
A Mirabaud aumentou a exposição à bolsa — mas não está confiante
Segundo Pedro Vianna, diretor de distribuição da gestora, o movimento atual da bolsa não representa uma tendência estrutural, mas um ciclo passageiro. Por isso, a casa aumentou a posição em renda variável, mas apenas de forma tática, não de longo prazo.
Para ele, a volatilidade extrema do mercado brasileiro torna difícil uma estratégia de valorização contínua:
“Se Warren Buffett fosse brasileiro, talvez não tivesse construído o patrimônio que construiu nos EUA. Aqui, os ciclos de alta e baixa são muito mais intensos.”
A alta da bolsa não é mérito só do Brasil — e isso preocupa
Vianna lembra que o rali recente tem muito menos a ver com o Brasil e muito mais com um movimento global. A desvalorização do dólar, somada às decisões do governo Trump e à rotação setorial, levou vários emergentes a brilhar.
Exemplos:
- Bolsa do México: +25%
- Bolsa da Colômbia: +40%
- Ibovespa em dólar: +40%
Ou seja, outros mercados latinos também dispararam.
2026 pode trazer mais altas? Só se o Brasil fizer o dever de casa
Mesmo com casas mais otimistas — como o Morgan Stanley, que vê o IBOV em 200 mil pontos em 2026 —, a Mirabaud prefere cautela.
Segundo a gestora, sem:
- reformas estruturais,
- sinal fiscal forte
- ambiente político estável,
não há combustível para um novo ciclo de valorização.
E há ainda um grande fator de incerteza:
as eleições presidenciais de 2026.
Vianna lembra que prever eleição no Brasil é quase impossível:
“O país já viu de tudo — de facada a queda de avião. É extremamente difícil projetar cenário.”
Com juros altos, a renda fixa segue sendo a “queridinha” da gestora
Enquanto a bolsa inspira cautela, a renda fixa continua sendo o carro-chefe da Mirabaud. Mesmo com a expectativa de queda nas taxas, a casa não vê juros abaixo de dois dígitos tão cedo.
Um dos destaques são as NTN-Bs (títulos atrelados à inflação):
- juros reais perto de 8% ao ano
- boa proteção em cenário incerto
- oportunidade de alongar duration para capturar possíveis cortes
Ainda assim, os pós-fixados seguem atrativos, já que a gestora não acredita em uma Selic abaixo de 10% em breve.
E as big techs? Nem a queda bilionária assustou a gestora
As gigantes de tecnologia perderam US$ 1,75 trilhão em valor de mercado entre outubro e novembro — o equivalente a duas B3 (B3SA3) — após temores de bolha e fortes correções.
Mesmo assim, a Mirabaud mantém aposta no setor.
Vianna afirma que, apesar de os múltiplos estarem altos, o crescimento projetado está se concretizando e as empresas possuem:
- muito caixa
- escalabilidade
- capacidade de atravessar ciclos ruins
Segundo ele, o cenário não lembra a bolha de 2000:
“Hoje a geração de caixa é real. Essa é a grande diferença.”
Conclusão
Apesar do fluxo estrangeiro e da forte recuperação de 2025, a visão da Mirabaud é clara: o Ibovespa (IBOV) precisa de reformas, solidez fiscal e um ambiente político mais previsível para continuar subindo de forma consistente.
Enquanto isso não acontece, a gestora segue focada na renda fixa — e investindo em ações apenas com estratégia tática, não estrutural.
Quer acompanhar os próximos movimentos do mercado e entender antes dos outros o que pode mexer com a Bolsa? Continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que a Mirabaud está cautelosa com o Ibovespa?
A gestora acredita que a alta atual é cíclica, não estrutural, e que faltam reformas e segurança fiscal para sustentar novas valorizações.
O fluxo estrangeiro continua forte em 2025?
Sim. A bolsa recebeu R$ 31,5 bilhões, impulsionados pela expectativa de corte de juros nos EUA.
As eleições de 2026 podem influenciar o Ibovespa?
Muito. A incerteza eleitoral aumenta a volatilidade e dificulta projeções de longo prazo.
A renda fixa ainda é atrativa?
Sim. Com juros altos, NTN-Bs e pós-fixados seguem oferecendo retornos robustos.
As big techs ainda são boas oportunidades?
Para a Mirabaud, sim. Mesmo após quedas fortes, o setor ainda tem forte geração de caixa e potencial de crescimento.
O Ibovespa pode atingir 200 mil pontos em 2026?
Algumas casas, como o Morgan Stanley, acreditam que sim. Mas a Mirabaud vê esse cenário como pouco provável sem avanços estruturais.









