A indústria ferroviária instalada no Brasil entra em 2026 com expectativa de crescimento, puxada pela demanda por locomotivas, vagões de carga e carros de passageiros. Mesmo assim, o setor avalia que poderia avançar bem mais se não enfrentasse uma concorrência considerada desigual, especialmente de empresas chinesas.
O principal símbolo dessa disputa é a CRRC, gigante estatal com sede em Pequim e maior fabricante ferroviária do mundo. A companhia venceu a licitação bilionária para fornecer trens ao metrô de São Paulo, integra o consórcio do Trem Intercidades (TIC) e já entregou composições para a única rota interestadual de passageiros com operação diária no país.
Números mostram crescimento, mas setor ainda opera abaixo do potencial
Segundo projeções da Abifer, a indústria nacional deve fabricar 72 locomotivas em 2026, contra 66 em 2025, uma alta de pouco mais de 9%. Já a produção de vagões de carga deve chegar a 1.900 unidades, avanço de quase 12% e o quarto ano seguido de crescimento.
No segmento de passageiros, a previsão é de 193 carros ferroviários, número 58% maior que o de 2025, considerado um ano fraco para o setor. Mesmo com a melhora, os dados mostram que a indústria segue distante de seus picos históricos: em 2005, por exemplo, foram fabricados mais de 7.500 vagões, quatro vezes mais do que o projetado agora.
Concorrência chinesa é vista como principal obstáculo
Para representantes do setor, o problema não é a qualidade dos produtos chineses, mas o poder financeiro e comercial das estatais asiáticas, capazes de operar com margens muito agressivas. A CRRC, sozinha, fatura cerca de R$ 170 bilhões por ano, valor que supera com folga todo o mercado ferroviário brasileiro.
Na concorrência dos 44 novos trens do metrô paulista, fabricantes nacionais afirmam que chegaram ao limite de preço, enquanto a empresa chinesa conseguiu apresentar uma proposta mais baixa. O contrato, de R$ 3,1 bilhões, prevê entregas a partir de 2027 e operação plena até 2030.
Pedido central: financiamento competitivo
Além da disputa comercial, a indústria nacional aponta outro gargalo: o custo do financiamento no Brasil. Executivos defendem linhas de crédito mais baratas e estáveis para permitir que fabricantes locais disputem grandes projetos em condições semelhantes às de grupos estrangeiros.
Segundo lideranças do setor, empresas brasileiras são competitivas fora do país — com exportações para Europa, Ásia e América Latina — mas enfrentam dificuldades dentro do próprio mercado doméstico, justamente onde deveriam ter vantagem.
Produção local ainda garante empregos e nacionalização
Mesmo com o avanço da CRRC, os contratos exigem índice de nacionalização, o que deve gerar investimentos no Brasil. Para atender o metrô de São Paulo, a empresa chinesa terá parte da produção em Araraquara (SP), com investimento estimado em R$ 50 milhões e cerca de 100 empregos diretos.
Fabricantes nacionais também veem oportunidades em trens regionais, VLTs e reaproveitamento de ferrovias hoje subutilizadas, especialmente para transporte de passageiros em médias cidades e regiões metropolitanas.
Crescimento existe, mas alerta permanece
O consenso no setor é claro: 2026 será melhor que 2025, mas ainda longe do ideal. A retomada é gradual, sustentada por concessões ferroviárias, mineração, agronegócio e renovação de frotas. Sem ajustes em crédito e política industrial, porém, o risco é o Brasil virar apenas mercado consumidor, não produtor.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
A indústria ferroviária brasileira vai crescer em 2026
Sim, há previsão de aumento na produção de locomotivas, vagões e carros de passageiros
Quem é a principal concorrente estrangeira do setor
A chinesa CRRC, maior fabricante ferroviária do mundo
Qual o principal problema apontado pelas empresas brasileiras
Concorrência considerada desigual e falta de crédito competitivo
O setor já voltou ao pico histórico
Não, a produção atual ainda é bem menor que nos anos 2000
Há geração de empregos no Brasil mesmo com empresas chinesas
Sim, contratos exigem nacionalização parcial da produção








