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quarta-feira, fevereiro 18, 2026
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Irã e Rússia realizam exercícios navais em meio a tensões nucleares com EUA e negociações em andamento

Exercícios militares entre Irã e Rússia intensificam cenário de tensões globais enquanto negociações nucleares com os EUA avançam com cautela.

O Irã anunciou a realização de exercícios militares conjuntos com a Rússia e a China até o final do mês. As manobras navais com a Rússia tiveram início nesta quinta-feira (19) no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico. O anúncio ocorre em um momento delicado, com os Estados Unidos e o Irã em negociações para limitar o programa nuclear iraniano, sob a ameaça de sanções e possíveis ações militares.

Segundo agências de notícias iranianas, como a Fars, um dos objetivos declarados dos exercícios é a busca por convergência e coordenação em medidas conjuntas para enfrentar ameaças à segurança marítima e combater o terrorismo no mar. O comandante da Marinha iraniana, Hassan Maghsoodloo, ressaltou a importância destas ações.

Essas manobras conjuntas Irã-Rússia acontecem poucos dias após a Guarda Revolucionária Islâmica, força militar proeminente do regime, ter realizado seus próprios exercícios no Estreito de Ormuz. A recente atividade militar iraniana levou ao fechamento parcial do estreito, uma rota marítima crucial para o comércio global.

Avanços e Desafios nas Negociações Nucleares

As negociações entre os Estados Unidos e o Irã sobre o programa nuclear iraniano têm sido marcadas por um misto de otimismo cauteloso e diferenças significativas. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, indicou na terça-feira que houve avanços e que o caminho para um acordo nuclear estaria aberto. No entanto, os EUA mantêm uma postura mais reservada, afirmando que ainda há um longo caminho a percorrer.

As tratativas são motivadas pela escalada de tensões com o presidente americano, Donald Trump, que ameaça impor medidas severas caso as negociações fracassem. O Irã, por sua vez, insiste que seu programa nuclear tem fins pacíficos e está disposto a se submeter a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para comprovar isso.

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, demonstrou firmeza, afirmando que Trump não conseguirá derrubar seu regime e fazendo ameaças diretas a porta-aviões americanos estacionados na região, como o USS Abraham Lincoln. Essa retórica acirrada contrasta com a busca por uma solução diplomática.

Diferenças Fundamentais e Propostas em Jogo

A principal divergência entre os países reside nas exigências. Washington busca o fim dos programas nuclear e de mísseis do Irã, além da interrupção do apoio a grupos armados regionais. Já Teerã afirma que negociará apenas seu programa nuclear, recusando-se a discutir outras questões.

Uma proposta em discussão é a disposição do Irã em diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções. Atualmente, o país detém cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, um nível próximo ao necessário para a fabricação de uma bomba nuclear, segundo a AIEA.

O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, expressou a abertura do país para inspeções da AIEA, mas ressaltou que não cederá a “exigências excessivas” dos EUA. Essa postura demonstra a complexidade do cenário, onde interesses nacionais e pressões internacionais se entrelaçam.

Reforço Militar Americano e Tensão Regional

Em resposta à escalada de tensões, os Estados Unidos enviaram o porta-aviões USS Gerald Ford para reforçar o cerco militar ao Irã, somando-se ao grupo de ataque do USS Abraham Lincoln já posicionado na região. Essa movimentação militar aumenta o risco de confrontos diretos na área.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou as negociações como “difíceis” e descreveu os líderes iranianos como “radicais”, evidenciando a falta de confiança mútua. A Guarda Revolucionária do Irã, por sua vez, anunciou novos exercícios militares no Estreito de Ormuz, elevando ainda mais as tensões com as tropas americanas.

Apesar das divergências e das ameaças, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, e o chefe da AIEA, Rafael Grossi, tiveram uma reunião descrita como “aprofundada” para discutir as questões nucleares, indicando que os canais diplomáticos permanecem abertos, mesmo que com dificuldades.

Perguntas frequentes

O que são os exercícios militares entre Irã e Rússia?

São manobras navais conjuntas realizadas no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico, com o objetivo de fortalecer a cooperação em segurança marítima e combate ao terrorismo. As operações contam com a participação de forças navais de ambos os países.

Por que o Irã está realizando negociações nucleares com os EUA?

As negociações visam limitar o programa nuclear iraniano em troca da suspensão das sanções impostas ao país. A pressão internacional e as ameaças de ações militares por parte dos EUA motivaram o Irã a buscar um acordo.

Qual a importância do Estreito de Ormuz?

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estratégica e vital para o transporte de petróleo e gás natural. Exercícios militares na região podem afetar o tráfego marítimo e aumentar as tensões geopolíticas.

O Irã possui armas nucleares?

Atualmente, o Irã não possui armas nucleares, mas detém urânio enriquecido que, segundo a AIEA, está próximo do nível necessário para a fabricação de uma bomba nuclear. O país afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

Quais são as principais divergências entre EUA e Irã nas negociações?

Os EUA exigem o fim dos programas nuclear e de mísseis do Irã e o fim do apoio a grupos armados regionais. O Irã, por sua vez, deseja negociar apenas seu programa nuclear e a suspensão das sanções.

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