A União Europeia está em um momento crucial para a aprovação do acordo comercial com o Mercosul, com a Itália emergindo como um potencial facilitador, enquanto a França mantém uma postura firme de oposição. A expectativa é de que a decisão final ocorra em breve, após anos de negociações.
A Itália, através de seu Ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, expressou que a aprovação do acordo está condicionada a garantias concretas sobre o respeito às normas sanitárias e ambientais europeias por parte dos produtos sul-americanos. A questão do uso de pesticidas proibidos na UE é um ponto sensível.
Além das exigências relacionadas ao Mercosul, a Itália também busca um gesto da Comissão Europeia para reduzir o custo dos fertilizantes, propondo uma revisão do mecanismo europeu de taxa de carbono nas fronteiras. A Alemanha, por sua vez, demonstra otimismo quanto à posição italiana, acreditando que Roma dará sinal verde ao tratado. As informações foram divulgadas pelo ministro italiano em Bruxelas e pelo governo alemão. Conforme informações divulgadas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, espera assinar oficialmente o acordo já em 12 de janeiro, após mais de 25 anos de negociações com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Garantias Sanitárias e Ambientais: O Ponto Crucial para a Itália
O Ministro da Agricultura italiano, Francesco Lollobrigida, foi enfático ao listar as principais demandas de seu governo. Assim como a França, a Itália exige **garantias concretas** de que os produtos sul-americanos respeitarão as normas sanitárias e ambientais europeias. Um dos pontos centrais dessa exigência é o uso de pesticidas, com a Itália buscando assegurar que não haja utilização de substâncias proibidas na União Europeia.
Lollobrigida afirmou que, se essas garantias forem devidamente certificadas, a Itália apoiará a assinatura do acordo com o Mercosul. A posição italiana é vista com otimismo pelo governo alemão, que se declarou “muito confiante” de que haverá um sinal verde para o tratado. A notícia repercute em meio às negociações que podem definir o futuro do comércio entre os blocos.
França Mantém Oposição Firme e Tensão Política Aumenta
A França, no entanto, continua irredutível em sua oposição, reiterando que “a conta ainda não fecha”. O país conta com o apoio da Polônia e da Hungria, mas este número é insuficiente para barrar o acordo, que é defendido pela Alemanha e Espanha como um impulso para a economia europeia. A resistência francesa, no entanto, gera incertezas sobre a viabilidade política da aprovação.
A situação política na França também se intensifica. Enquanto o presidente Emmanuel Macron apoia o acordo com o Mercosul, líderes da direita, como Bruno Retailleau, alertam para o risco de uma moção de censura contra o governo caso a ratificação seja insistida. O principal sindicato agrícola francês, a FNSEA, também alerta para possíveis mobilizações ainda maiores, caso o acordo seja aprovado. Os protestos agrícolas no país têm ganhado força, com manifestações e comboios rumo a Paris, denunciando a concorrência de produtos latino-americanos e a gestão de questões sanitárias, como a dermatose nodular contagiosa (DNC) no gado bovino.
Medidas da Comissão Europeia para Tentar Conciliar Interesses
Para tentar diminuir a resistência ao acordo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um gesto em outra área sensível: a Política Agrícola Comum (PAC). Foi proposto um reforço orçamentário para o próximo ciclo da PAC, de 2028 a 2034, com a liberação antecipada de 45 bilhões de euros a partir de 2028. A Comissão Europeia insiste que o texto do acordo prevê garantias para os agricultores europeus, com cotas limitadas para produtos importados com tarifas reduzidas e mecanismos de salvaguarda para setores mais sensíveis.
A Comissão Europeia promete intervir em caso de desequilíbrio de mercado, com a possibilidade de restabelecer tarifas alfandegárias se necessário. A França, contudo, ainda aguarda anúncios adicionais para reforçar a proteção aos agricultores, após uma votação no Parlamento Europeu em meados de dezembro. Em uma demonstração de sua posição, Paris publicou um decreto suspendendo a importação de produtos agrícolas sul-americanos, como abacates, goiabas e mangas, que foram tratados com fungicidas e herbicidas proibidos na UE.
Perguntas frequentes
O que é o acordo UE-Mercosul?
O acordo UE-Mercosul é um tratado comercial proposto entre a União Europeia e os países do bloco sul-americano (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) para reduzir tarifas e facilitar o comércio de bens e serviços entre as regiões, após mais de 25 anos de negociações.
Quais são as principais exigências da Itália para aprovar o acordo?
A Itália exige garantias concretas de que os produtos sul-americanos respeitarão as normas sanitárias e ambientais europeias, especialmente no que se refere ao uso de pesticidas proibidos na UE. Eles também buscam uma redução no custo dos fertilizantes.
Por que a França se opõe ao acordo UE-Mercosul?
A França argumenta que o acordo não fecha as contas e levanta preocupações sobre a concorrência desleal de produtos sul-americanos, que podem não seguir os mesmos padrões sanitários e ambientais da Europa, além de questões relacionadas à gestão de epidemias no gado.
Quais medidas a Comissão Europeia tomou para tentar convencer os países membros?
A Comissão Europeia propôs um reforço orçamentário para a Política Agrícola Comum (PAC) e afirma que o acordo prevê mecanismos de salvaguarda para proteger os setores agrícolas mais sensíveis da UE.
Qual o impacto esperado do acordo UE-Mercosul nos preços dos produtos agrícolas?
O acordo visa reduzir tarifas, o que potencialmente levaria a uma diminuição nos preços de alguns produtos importados. No entanto, há preocupações de que isso possa prejudicar os agricultores europeus devido à maior concorrência e à possível entrada de produtos com custos de produção menores.








