O Ibovespa (IBOV) não para de surpreender. Depois de renovar recordes e alcançar 164 mil pontos, o principal índice da Bolsa segue em ritmo acelerado — acumulando mais de 36% de alta no ano. E, segundo o JP Morgan, essa escalada pode estar apenas começando.
O banco americano projeta que o índice pode bater 190 mil pontos no cenário-base e, no melhor cenário político, atingir até 230 mil pontos em 2026. Mas tem um detalhe: tudo isso depende diretamente das eleições do próximo ano.
A seguir, entenda o que o banco vê para o Brasil, como os juros entram nesse movimento e por que 2026 deve ser um ano decisivo para o mercado.
O Ibovespa ainda tem fôlego para continuar subindo?
Na visão do JP Morgan, sim.
O banco afirma que o índice tem espaço para novas máximas — e aponta três razões principais:
- Retomada do apetite ao risco
- Selic mais baixa ao longo de 2026
- Eleições com impacto direto no rumo fiscal e nas expectativas
A projeção base é um Ibovespa chegando a 190 mil pontos, o que representa cerca de 18% de alta diante do patamar atual.
No cenário mais otimista, com mudanças profundas na política fiscal, o índice pode alcançar 230 mil pontos.
Quando começam os cortes da Selic?
O banco projeta que o Banco Central inicie os cortes em março de 2026, com:
- Queda de 0,50 ponto percentual no início do ciclo
- Possibilidade de corte antecipado já em janeiro
- Redução total de 3,50 a 4,00 pontos no ano
- Selic fechando 2026 em 11% ao ano
O cenário é compatível com as estimativas do mercado, registradas no Boletim Focus, que apontam Selic próxima de 12% ao fim de 2026.
E o banco reforça: o Brasil deve liderar a flexibilização monetária entre os emergentes no ano que vem.
Onde entram as eleições nessa projeção?
Para o JP Morgan, as eleições presidenciais de 2026 são o maior gatilho para os ativos brasileiros.
O banco alerta que:
- O Brasil tem uma combinação de política monetária rígida com política fiscal frouxa, desde 2023.
- Os gastos do governo aumentaram cerca de 20% na gestão Lula 3.
- A dívida pública subiu mais de 10 pontos do PIB, chegando perto de 80%.
- O déficit orçamentário está em 9,1% do PIB, o mais alto entre emergentes.
Por isso, os estrategistas afirmam:
“O resultado das eleições importa, e importa muito.”
Sem um ajuste fiscal estrutural a partir de 2027, o ambiente de juros baixos pode durar pouco.
Uma eleição “binária” e de forte volatilidade
A expectativa é de uma disputa polarizada, com definições apenas entre março e abril.
Segundo o JP Morgan:
- O presidente Lula (PT) lidera as pesquisas em todos os cenários.
- Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, é o nome mais forte da direita — mas não confirmou candidatura.
- O ex-presidente Jair Bolsonaro busca manter influência, mesmo cumprindo pena, podendo apoiar Tarcísio, Michelle Bolsonaro (PL) ou outro membro da família.
O banco alerta que:
- A volatilidade deve ser muito alta.
- O mercado brasileiro tende a ter desempenho pior que outros emergentes seis meses antes das eleições.
Ou seja: prepare-se para um ano turbulento.
Brasil ainda está barato?
Sim, na avaliação do JP Morgan.
Eles afirmam que:
- O Brasil é um dos poucos emergentes negociando abaixo da média histórica.
- Sete de dez setores estão baratos em relação a pares globais e emergentes.
- Mesmo com menor crescimento previsto para 2026 (de 2% para cerca de 1%), os cortes de juros podem melhorar os lucros corporativos.
Quando o Ibovespa deve atingir o pico, segundo o JP Morgan?
O banco acredita que o índice deve atingir seu maior patamar entre o 1º e o 2º trimestre de 2026, quando:
- Os cortes de juros estarão em andamento no Brasil
- Os EUA também devem estar flexibilizando a política monetária
- As eleições ainda estarão relativamente distantes
Depois disso, o desempenho tende a ser mais limitado — com possíveis grandes movimentos apenas após a definição eleitoral.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Qual é a projeção do JP Morgan para o Ibovespa em 2026?
O banco projeta 190 mil pontos no cenário base e até 230 mil pontos no cenário mais otimista.
Quando a Selic deve começar a cair?
Segundo o JP Morgan, em março de 2026, com possibilidade de corte já em janeiro.
Por que as eleições impactam tanto o mercado?
Porque o resultado determinará o rumo da política fiscal a partir de 2027, influenciando juros, crescimento e confiança.
Quem lidera as pesquisas hoje?
O presidente Lula lidera todos os cenários avaliados, segundo o relatório.
O mercado deve ter volatilidade?
Sim. O JP Morgan prevê oscilação intensa de preços até outubro por causa das pesquisas eleitorais.
O Brasil está barato em relação a outros emergentes?
Está. Sete de dez setores negociam abaixo das médias internacionais.









