O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou oficialmente que o país votará contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão, apesar de esperada, tem mais peso político do que prático e não deve impedir que o pacto avance nas instâncias europeias já nesta sexta-feira.
O posicionamento francês ocorre em meio a forte pressão interna, especialmente do setor agrícola, que vê o acordo como uma ameaça direta à produção local. Ainda assim, Paris perdeu aliados estratégicos dentro do bloco e já não dispõe de força suficiente para formar uma minoria de bloqueio.
Por que a França rejeita o acordo UE-Mercosul?
Em comunicado oficial, Macron reconheceu que houve “avanços incontestáveis” nas negociações, como a inclusão de cláusulas adicionais de proteção sanitária e de mercado, exigidas pela França. Mesmo assim, afirmou que existe uma rejeição quase unânime do acordo dentro da classe política francesa.
Segundo o presidente, o voto contrário não encerra o debate. Ele prometeu continuar pressionando a Comissão Europeia para garantir o cumprimento de compromissos voltados à proteção dos agricultores franceses, um dos grupos mais influentes do país.
Na prática, o “não” francês funciona como um recado político para Bruxelas, mas sem poder real de veto neste momento.
Acordo deve ser aprovado mesmo com voto contrário da França
Apesar da resistência de Paris, a expectativa é de que o acordo UE-Mercosul seja aprovado pela União Europeia. A França perdeu o apoio da Itália e não conseguiu reunir países suficientes para bloquear a decisão.
A previsão é de que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje à América do Sul na próxima semana para a cerimônia formal de assinatura com o Mercosul, que deve ocorrer no Paraguai.
Após essa etapa, o texto ainda precisará passar pelo crivo do Parlamento Europeu, o que mantém o tema em debate por mais algum tempo.
Agricultores protestam em Paris e prometem novos atos
O anúncio de Macron não foi suficiente para acalmar os agricultores franceses. Nesta quinta-feira, produtores rurais ocuparam áreas próximas ao Arco do Triunfo e à Torre Eiffel, dois dos pontos mais simbólicos de Paris, usando tratores e faixas de protesto.
Representantes do setor afirmaram que o presidente “fala não, mas deixa o acordo passar”, o que aumentou a sensação de traição entre os manifestantes. Do lado de fora da Assembleia Nacional, o clima ficou tenso, com hostilidade direcionada a parlamentares ligados ao partido de Macron.
Embora o protesto tenha se dispersado no início da noite, líderes do movimento garantem que novas manifestações devem ocorrer nos próximos dias, mantendo a pressão política.
França avalia levar disputa ao campo jurídico
Com poucas opções no campo político, a França avalia agora judicializar o acordo, questionando aspectos processuais e jurídicos do tratado. Essa estratégia pode atrasar etapas, mas dificilmente impedir a entrada em vigor do pacto no médio prazo.
O episódio expõe uma divisão clara dentro da Europa: de um lado, países interessados em ampliar o comércio com a América do Sul; do outro, setores que temem concorrência direta, especialmente no agronegócio.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O que é o acordo UE-Mercosul?
É um tratado comercial entre a União Europeia e países do Mercosul para reduzir tarifas e ampliar o comércio.
A França pode barrar sozinha o acordo?
Não. Sem apoio de outros países, a França não tem poder de veto isolado.
Por que agricultores franceses são contra o acordo?
Eles temem concorrência de produtos agrícolas sul-americanos, com custos menores.
O acordo já está totalmente aprovado?
Não. Após a assinatura, ainda precisa do aval do Parlamento Europeu.
O Brasil é beneficiado com esse acordo?
Sim. O acordo amplia acesso do Brasil ao mercado europeu, especialmente no agronegócio.









