Uma nova pesquisa Reuters/Ipsos revelou que grande parte dos norte-americanos se opõe à campanha militar dos Estados Unidos que vem realizando ataques letais a embarcações suspeitas de transportar drogas nas águas próximas à Venezuela. O debate ganhou força em meio à escalada das tensões entre Washington e Caracas e às discussões sobre até que ponto o presidente Donald Trump teria autoridade para autorizar ações desse tipo sem aval judicial.
O levantamento mostra que a sociedade americana está longe de um consenso — e que até mesmo dentro do Partido Republicano há sinais de desconforto com a estratégia militar adotada.
O que a pesquisa mostrou sobre a opinião dos americanos?
Segundo o estudo, 48% dos entrevistados disseram ser contra os ataques realizados sem autorização de um juiz ou tribunal, enquanto 34% afirmaram apoiar a iniciativa. Outros 18% declararam estar indecisos ou sem opinião formada.
A divisão partidária ficou evidente:
• Entre republicanos: 67% apoiam os ataques, mas 19% se opõem, mostrando que a resistência não se limita ao partido adversário.
• Entre democratas: 80% rejeitam a ação militar, enquanto apenas 9% apoiam a medida.
A pesquisa foi realizada ao longo de seis dias e ouviu 4.434 adultos em todo o país, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
Por que os ataques estão sendo criticados?
Especialistas têm levantado dúvidas sobre a legalidade das operações. Há pouca ou nenhuma evidência divulgada de que os barcos destruídos carregavam de fato drogas — e muitos analistas questionam se era realmente necessário explodir as embarcações em vez de interceptá-las e interrogar as pessoas a bordo.
Outro ponto sensível está na Constituição dos EUA, que dá ao Congresso, e não ao presidente, o poder de declarar guerra.
Isso cria um impasse sobre até que ponto Trump pode conduzir uma campanha militar tão prolongada sem aprovação legislativa.
Qual a justificativa do governo para continuar os ataques?
Autoridades norte-americanas afirmam que a ação visa impedir grupos classificados como “narcoterroristas”, supostamente ligados ao governo de Nicolás Maduro, acusados por Washington de enviar drogas para os EUA.
Maduro nega qualquer participação em tráfico internacional e classifica as acusações como motivação política.
Os ataques letais já deixaram 87 mortos, aumentando a pressão diplomática e intensificando o debate sobre responsabilidade e transparência militar.
Por que a tensão entre EUA e Venezuela aumentou agora?
O governo de Trump avalia inclusive opções de ataques terrestres, em um contexto de deterioração das relações e crescente disputa geopolítica.
As acusações de envolvimento do governo venezuelano com redes de narcotráfico são usadas como justificativa para ampliar o espectro de ações militares.
Ao mesmo tempo, movimentos diplomáticos recentes, sanções econômicas e disputas territoriais ampliaram ainda mais o desgaste entre os dois países.
Conclusão: o que esse cenário revela sobre os EUA hoje?
A pesquisa evidencia um país polarizado, mas também mostra que parte significativa da população — inclusive entre republicanos — está desconfortável com uma política externa agressiva sem clareza jurídica.
Enquanto isso, cresce a pressão por transparência, supervisão e limites ao poder do Executivo em decisões militares que têm impacto internacional.
Para acompanhar mais análises sobre geopolítica, pesquisas e impacto das tensões globais nos mercados, continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que os ataques dos EUA geram tanta polêmica?
Porque são realizados sem autorização judicial e deixaram dezenas de mortos, levantando questionamentos legais e éticos.
O ataque tem apoio da maioria da população?
Não. Segundo a pesquisa, 48% dos americanos se opõem à ação militar.
Os republicanos apoiam Trump nesses ataques?
A maioria sim, mas cerca de 19% rejeitam a operação.
Maduro está envolvido no tráfico de drogas?
Washington acusa o governo venezuelano, mas Maduro nega qualquer ligação.
Há risco de expansão do conflito?
Sim. Trump avalia inclusive opções de ataques terrestres, aumentando a tensão diplomática.
A Constituição permite que o presidente autorize esses ataques?
Especialistas dizem que não, pois a Constituição atribui ao Congresso o poder de declarar guerra.









