Setores produtivos afirmam que proposta pode reduzir arrecadação e comprometer estabilidade das contas públicas
A proposta de alteração no projeto de isenção do Imposto de Renda (IR), defendida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), gerou reação negativa entre representantes da indústria, do comércio e de entidades empresariais. A medida, que amplia a faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês, foi aprovada pela Câmara, mas pode sofrer ajustes no Senado. Segundo reportagem do G1, os setores econômicos temem que a mudança traga perda de receita e eleve a incerteza fiscal.
Impacto bilionário nas contas públicas
A principal preocupação é o efeito sobre a arrecadação federal. Técnicos da área econômica estimam que a ampliação da isenção pode reduzir a arrecadação em até R$ 26 bilhões por ano, caso não haja compensações efetivas. Além disso, a taxação sobre lucros e dividendos, prevista como contrapartida, não seria suficiente para cobrir a perda.
Especialistas ouvidos pelo G1 afirmam que o impacto pode pressionar o arcabouço fiscal, exigindo corte de despesas ou aumento de outros tributos. “Sem medidas compensatórias sólidas, o governo corre o risco de ampliar o déficit primário e comprometer metas fiscais futuras”, avaliou um economista consultado pela reportagem.
Reação negativa de empresários e investidores
Entidades empresariais classificaram a proposta como populista e de difícil execução. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC) afirmaram que as alterações em discussão aumentam a insegurança tributária e dificultam o planejamento das empresas.
Para representantes do setor produtivo, a medida pode gerar reação em cadeia. “O alívio ao contribuinte de baixa renda é justo, mas precisa ser sustentável. Do contrário, alguém terá que pagar essa conta — e o risco é que recaia sobre as empresas”, disse um executivo ouvido pela GloboNews.
Enquanto isso, investidores demonstram cautela. Analistas do mercado financeiro avaliam que as discussões em torno do IR aumentam a percepção de risco sobre as contas públicas, principalmente diante da pressão por novos gastos sociais.
Benefício ao trabalhador, mas sob incertezas
Por outro lado, a proposta traz alívio imediato para cerca de 15 milhões de contribuintes. Quem recebe até R$ 5 mil ficaria isento, o que reforça o poder de compra das famílias em um momento de desaceleração do consumo.
Ainda assim, o benefício pode ser temporário se o governo não equilibrar as contas. Segundo o G1, técnicos alertam que uma eventual perda de arrecadação pode forçar o aumento de impostos em outras frentes, anulando parte do ganho obtido pelos trabalhadores.
Próximos passos no Senado
O texto está agora sob análise da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde Renan Calheiros estuda incluir emendas que modifiquem a proposta original. A expectativa é que o parecer seja apresentado até o fim de outubro, antes da votação em plenário.
Caso o Senado altere pontos centrais, o projeto terá que voltar à Câmara, o que pode atrasar sua implementação. Enquanto isso, setores produtivos pedem previsibilidade e diálogo. “O país precisa de estabilidade, não de improvisos fiscais”, afirmou um representante do setor industrial.
Com o impasse, o debate sobre o IR volta ao centro da política econômica, em meio a pressões do governo por crescimento e da sociedade por alívio tributário sustentável.









