O envelhecimento costuma vir acompanhado de uma rotina cada vez mais cheia de comprimidos. Mas o que muita gente não percebe é que o excesso de medicamentos pode ser tão perigoso quanto a própria doença. Um levantamento recente com dados do Medicare revela um cenário alarmante: milhões de idosos usam oito ou mais remédios ao mesmo tempo, aumentando significativamente os riscos à saúde.
Casos como o de Barbara Schmidt, uma americana de 83 anos, mostram como a combinação de medicamentos — muitas vezes receitados por médicos diferentes — pode resultar em quedas frequentes, cirurgias repetidas e perda de lucidez, sem que ninguém identifique o verdadeiro problema por anos.
Quando o tratamento vira o problema
Barbara sempre se considerou ativa e saudável. Mesmo com osteoporose, dores crônicas e ansiedade, seguia trabalhando, viajando e convivendo com a família. Para lidar com os sintomas, médicos foram empilhando prescrições ao longo dos anos.
Ela chegou a usar mais de uma dúzia de medicamentos, incluindo remédios para dor, ansiedade, sono e relaxamento muscular. Muitos deles têm efeito sedativo e atuam no sistema nervoso central. O resultado foi devastador: quedas constantes, fraturas, perda de consciência e internações sucessivas.
Durante muito tempo, a família acreditou que as quedas eram “acidentes”. Só depois de uma avaliação geriátrica especializada ficou claro que o verdadeiro risco estava na interação entre os remédios.
Medicamentos que idosos deveriam evitar
Parte dos medicamentos usados por Barbara consta nos chamados Critérios de Beers, diretrizes mantidas pela American Geriatrics Society, que listam fármacos potencialmente perigosos para idosos.
Entre eles estão:
- Benzodiazepínicos, como o diazepam
- Anti-histamínicos com efeito sedativo
- Relaxantes musculares
- Combinações múltiplas de medicamentos que afetam o cérebro
Esses remédios aumentam o risco de confusão mental, tontura, quedas e fraturas, especialmente quando usados em conjunto.
Muitos médicos, pouca visão do todo
Um dos grandes problemas é que as prescrições vêm de vários profissionais diferentes. Especialistas, clínicos gerais e hospitais nem sempre compartilham prontuários completos. O paciente, por sua vez, muitas vezes não lembra ou não informa tudo o que já toma.
O resultado é um efeito dominó: cada médico tenta resolver um sintoma específico, sem perceber que o conjunto de medicamentos está adoecendo o paciente.
Estudos mostram que, entre idosos que usam oito ou mais remédios, é comum haver prescrições feitas por cinco ou mais profissionais diferentes.
Revisão de medicamentos ainda falha
Existe um processo chamado gestão da terapia medicamentosa, que deveria revisar toda a lista de remédios do idoso. No papel, planos de saúde ligados ao Medicare precisam oferecer esse serviço.
Na prática, porém, poucos idosos passam por essa revisão completa, e mesmo quando passam, o número de medicamentos muitas vezes não diminui.
Especialistas alertam que contar comprimidos não basta. É preciso avaliar interações, efeitos cumulativos e necessidade real de cada remédio.
O que mudou quando os remédios foram cortados
Após uma avaliação especializada, Barbara reduziu drasticamente o uso de alguns medicamentos-chave. Desde então, não voltou a cair, se sente mais lúcida e retomou parte da autonomia.
O caso reforça um alerta importante: menos pode ser mais, especialmente na terceira idade. Ajustar ou retirar medicamentos, quando possível, pode melhorar a qualidade de vida mais do que acrescentar novos comprimidos.
Um alerta que vale para famílias e cuidadores
O envelhecimento da população torna esse tema cada vez mais urgente. O uso excessivo de medicamentos é um risco silencioso, muitas vezes normalizado, mas que cobra um preço alto em quedas, cirurgias, internações e perda de autonomia.
Questionar prescrições, pedir revisões e buscar uma visão integrada da saúde deixou de ser exagero. É cuidado essencial.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O que é polifarmácia em idosos?
É o uso simultâneo de vários medicamentos, geralmente cinco ou mais, aumentando riscos à saúde.
Por que muitos remédios são perigosos para idosos?
Porque o organismo envelhecido metaboliza drogas de forma diferente, elevando efeitos colaterais.
Quedas podem estar ligadas a medicamentos?
Sim. Remédios sedativos aumentam tontura, confusão mental e risco de quedas.
Médicos sabem tudo o que o idoso toma?
Nem sempre. Falta integração entre prescrições de diferentes profissionais.
É possível reduzir medicamentos com segurança?
Sim, desde que com acompanhamento médico e revisão criteriosa.









