A Nike (NKE) ainda enfrenta um momento delicado, mas os números mais recentes indicam que o fundo do poço pode ter ficado para trás. Depois de uma sequência de decisões estratégicas questionadas pelo mercado, a gigante dos artigos esportivos começa a mostrar sinais de reação — embora os desafios sigam relevantes, especialmente na China e com a marca Converse.
No trimestre encerrado em 30 de novembro, as vendas globais da Nike cresceram 1%, sustentadas principalmente pela força da América do Norte. O lucro, porém, caiu 32%, pressionado pelo desempenho fraco na China continental, em Hong Kong e em Taiwan, onde a receita recuou expressivos 17%.
Onde a Nike errou e por que perdeu espaço no mercado
A crise atual não surgiu do nada. Nos últimos anos, a Nike apostou pesado em produtos ligados a estilo de vida e moda casual, enquanto abriu espaço para concorrentes em segmentos de desempenho, como corrida e esportes de alta performance.
Essa mudança de foco custou caro. Marcas especializadas avançaram justamente onde a Nike sempre foi dominante, afetando participação de mercado e percepção da marca entre atletas e consumidores mais exigentes.
Agora, a empresa tenta corrigir o rumo, acelerando o desenvolvimento de tênis de performance e reduzindo estoques antigos que pressionavam margens.
China segue como o maior problema da recuperação
Se há um ponto que ainda preocupa analistas e investidores, ele atende pelo nome de China. A Nike já deixou claro que a retomada no país vai exigir tempo e investimentos, e que a fraqueza na região deve continuar impactando os resultados no curto prazo.
A empresa projeta uma leve queda da receita global no trimestre atual, mesmo com crescimento esperado na América do Norte. O CEO Elliott Hill, que saiu da aposentadoria para assumir o comando da companhia, reconhece que a estratégia no país asiático precisa ser praticamente redesenhada.
Segundo Hill, a Nike vai investir mais fortemente em cidades-chave como Pequim e Xangai e alterar o mix de produtos oferecido aos consumidores chineses.
América do Norte dá sinais claros de melhora
Apesar do cenário misto, os resultados na América do Norte mostram que a estratégia de recuperação começa a funcionar. Analistas destacam que a Nike voltou a vender mais — e, mais importante, a fazer os consumidores comprarem com maior frequência.
Esse movimento indica uma melhora na execução comercial e no posicionamento dos produtos, algo essencial para sustentar uma retomada mais ampla.
Ainda assim, a própria empresa adota um tom cauteloso. Hill já avisou investidores que o processo não será linear, com avanços e recuos ao longo do caminho.
Tarifas, custos maiores e preços mais altos
Outro fator de pressão vem de fora. Tarifas comerciais associadas a políticas adotadas nos Estados Unidos devem adicionar cerca de US$ 1,5 bilhão em custos à Nike no atual ano fiscal, reduzindo a margem bruta.
Para compensar, a empresa já promoveu aumentos de preços em tênis, roupas e equipamentos — uma decisão sensível em um ambiente de consumo mais seletivo.
Converse segue como ponto fraco do grupo
Dentro do portfólio da Nike, a marca Converse continua decepcionando. As vendas caíram 30%, com retração em todas as regiões. A administração trabalha em uma reformulação da linha Chuck Taylor, principal produto da marca, mas os resultados ainda não apareceram.
O desempenho fraco da Converse reforça que a recuperação da Nike não depende apenas da marca principal, mas também de ajustes profundos em todo o grupo.
No resumo, a Nike começa a dar sinais de vida, mas o caminho para uma recuperação sólida ainda exige disciplina, tempo e execução precisa. Para acompanhar análises claras sobre grandes empresas, mercado global e investimentos, continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
A Nike já saiu da crise?
Ainda não. Há sinais de melhora, mas desafios importantes seguem pressionando resultados.
Qual região mais preocupa a Nike hoje?
A China é o principal ponto de atenção, com queda relevante de vendas e retomada lenta.
O que a Nike está fazendo para se recuperar?
Redução de estoques, foco em produtos de performance, reorganização interna e ajustes regionais.
As tarifas impactam muito a empresa?
Sim. A Nike estima um impacto de US$ 1,5 bilhão em custos adicionais.
A Converse ainda pesa nos resultados?
Sim. A marca enfrenta queda forte nas vendas e passa por reformulação.









