O número mais aguardado da semana finalmente saiu — mesmo com atraso provocado pelo shutdown de 43 dias do governo americano. O núcleo do PCE, indicador de inflação preferido do Federal Reserve, subiu 0,2% em setembro, exatamente o que o mercado esperava.
Mas por que esse dado importa tanto? O que muda para juros, consumo e expectativas do Fed? É isso que você vai entender agora, de forma simples e direta.
O que diz o PCE e por que o mercado acompanha de perto?
O PCE (Personal Consumption Expenditures) é a medida de inflação que o Federal Reserve mais observa na hora de decidir a taxa de juros.
No mês de setembro, os números vieram em linha com as projeções:
- Núcleo do PCE: +0,2% no mês e +2,8% em 12 meses
- PCE cheio: +0,3% no mês e +2,8% no ano
O núcleo desconsidera preços de alimentos e energia, que são mais voláteis, e por isso é considerado um termômetro mais firme da pressão inflacionária.
Com o resultado dentro do esperado, investidores seguem confiantes de que o Fed está perto de iniciar o ciclo de cortes.
O dado muda a próxima decisão de juros?
Provavelmente não.
Como o relatório veio atrasado e sem surpresas, analistas acreditam que ele não deve influenciar a próxima reunião do Fed.
Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, o mercado já precifica quase totalmente um corte de 25 pontos-base.
Ou seja: o PCE não atrapalha a expectativa de juros menores — e isso sustenta o bom humor nos mercados.
Como estão os gastos dos consumidores nos EUA?
Outro dado divulgado foi o de gastos dos consumidores, responsáveis por mais de dois terços da economia americana.
Em setembro:
- Os gastos subiram 0,3%
- Em agosto, haviam avançado 0,5% (revisado para baixo)
- A projeção era exatamente de 0,3%
O resultado mostra uma economia perdendo força no fim do terceiro trimestre, pressionada por:
- Mercado de trabalho mais fraco
- Custo de vida elevado
- Impacto das tarifas aplicadas pelo presidente Donald Trump
Economistas apontam que as famílias de renda alta mantiveram o consumo por conta do rali na Bolsa, mas:
- Famílias de renda média e baixa já sentem o peso do mercado de trabalho
- As tarifas aumentam custos de forma gradual — algumas empresas absorvem parte, outras queimam estoque acumulado
Esse comportamento reforça a visão de que a economia está desacelerando, mas ainda resiliente.
O que esperar daqui para frente?
Com inflação dentro do esperado, consumo moderado e mercado de trabalho mais suave, cresce o consenso de que o Fed tem espaço para flexibilizar a política monetária.
Os investidores agora acompanham:
- Indicadores de emprego
- Próximos dados de inflação
- Sinalizações do Fed nas reuniões de dezembro e janeiro
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O que é o núcleo do PCE?
É a versão do PCE que exclui alimentos e energia, mostrando uma leitura mais estável da inflação.
O PCE veio dentro do esperado?
Sim. Tanto o núcleo quanto o índice cheio vieram em linha com as projeções.
O dado muda a decisão do Fed?
Não. Por estar atrasado e sem surpresas, não deve alterar a probabilidade já precificada de corte de juros.
Como estão os gastos dos consumidores?
Subiram 0,3% em setembro, indicando desaceleração na economia.
As tarifas impactam o consumo?
Sim. As tarifas elevam preços gradualmente e afetam principalmente famílias de renda média e baixa.
Por que o mercado observa tanto o PCE?
Porque é o indicador de inflação usado pelo Fed como referência para ajustar a política monetária.









