O crescimento econômico não é fruto do acaso. Ele nasce de um planejamento claro, consistente e, sobretudo, bem executado. Para que isso aconteça, um país precisa de um projeto de nação, não apenas de projetos de governo. Quando essa visão de longo prazo existe, as principais forças de poder tendem a convergir voluntariamente para um mesmo objetivo, potencializando resultados.
O problema surge quando o debate econômico se limita a planos de governo, medidas pontuais e iniciativas de impacto restrito. Nessas circunstâncias, o potencial de crescimento se reduz drasticamente e os resultados ficam muito aquém do necessário. Essa dinâmica revela algo ainda mais profundo, que é a falta de conforto das forças de poder de atuar em cooperação. O que se observa, então, são disputas por espaço disfarçadas de interesses nacionais. É exatamente nesse ponto que se encontram muitas economias ocidentais, algumas em estágio econômico mais desenvolvido do que outras, aprofundando desigualdades e desperdiçando oportunidades. Em contraste, alguns países africanos começam a perceber essa armadilha e a redirecionar o foco do debate para um objetivo comum de desenvolvimento e prosperidade. O Brasil, no entanto, ainda parece distante dessa inflexão.
Apesar de ser a maior economia da América do Sul, o Brasil carece de um projeto claro de país, sendo necessário decidir onde quer chegar e qual papel econômico deseja exercer no mundo. Melhorar a qualidade de vida da população passa, inevitavelmente, pelo enriquecimento da sociedade como um todo — e isso só é possível com crescimento econômico sustentado e geração de empregos. Ainda assim, o país permanece preso a debates fragmentados sobre política fiscal, programas sociais e políticas públicas isoladas, muitas vezes conflitantes entre si. Pouco se discute o destino final ou como todos os agentes econômicos deveriam atuar de forma coordenada para alcançá-lo. No fundo, essa paralisia reflete o temor das forças de poder diante de possíveis perdas de espaço.
A história, no entanto, oferece exemplos claros de que mudanças rápidas e profundas são possíveis. Cingapura, em 1969, era um país extremamente pobre, assolado por graves problemas econômicos e sociais. A decisão política de mudar esse destino, aliada a uma execução rigorosa voltada à prosperidade, transformou o país em uma potência em menos de 50 anos. No Brasil, o próprio Mato Grosso ilustra essa lógica. Até o início dos anos 1980, o cerrado era visto como improdutivo e carregava a frase de que “ninguém quer nem dado e nem doado”. Hoje, graças à atuação coordenada do Estado e da iniciativa privada, se fosse um país, o Mato Grosso seria o quarto maior produtor de soja do mundo, tendo alterado completamente sua realidade em menos de três décadas.
A lição é que, quando há convergência de propósito e alinhamento entre as forças de poder, as políticas se tornam mais eficazes e os resultados são exponencialmente maiores. As discussões atuais no Brasil, porém, pouco contribuem para uma melhora consistente da qualidade de vida nos próximos anos. Predomina a lógica da sobrevivência política e institucional, enquanto as lições do passado são sistematicamente ignoradas.
O mundo atravessa transições de poder cujo desfecho e duração são difíceis de prever. Esses processos costumam ser longos e penalizam severamente economias que não conseguem se adaptar, empurrando algumas regiões para situações quase irreversíveis. A Argentina é um exemplo emblemático de como uma transição de poder prolongada pode levar à ruína. É difícil definir se o país mudou, mas tem dado sinais de que quer sair do fundo do poço. O Brasil, por ora, parece distante de um momento decisivo de definição sobre o que deseja ser como nação. O país segue aprisionado a debates macroeconômicos de curto prazo, que oferecem alívio imediato, mas não constroem futuro. Nesse vácuo de visão e propósito, o caos torna-se o ambiente ideal para aqueles que lucram com a manutenção do status quo.









