Sempre que a Opep+ se reúne, o mercado de petróleo — e boa parte da economia global — prende a respiração. Não é exagero. O grupo reúne alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo e tem capacidade real de mexer nos preços da energia, impactando combustíveis, inflação, juros e até Bolsas internacionais.
O tema voltou ao centro do debate após o Brasil ser convidado para integrar a Opep+, em um movimento articulado pela Arábia Saudita. O convite reacendeu dúvidas: afinal, o que é a Opep+, como ela funciona e por que suas decisões têm tanto peso?
Afinal, o que é a Opep+?
A Opep foi criada em 1960 e reúne hoje 13 países produtores de petróleo, com o objetivo de coordenar políticas de produção e defender interesses comuns no mercado global da commodity.
Já a Opep+ é uma extensão desse cartel. Ela surgiu em 2016, quando a Opep passou a convidar outros grandes produtores relevantes, mesmo que não fossem membros plenos, para atuar como associados.
Foi assim que países como Rússia, México e Cazaquistão passaram a participar das reuniões, ampliando significativamente o poder do bloco.
Hoje, a Opep+ responde por mais de 40% da produção mundial de petróleo, o que a transforma em um dos grupos mais influentes do planeta.
Por que a Opep+ tem tanto impacto no preço do petróleo?
O motivo é simples: oferta e demanda. Quando a Opep+ decide cortar ou aumentar a produção, o efeito no mercado costuma ser imediato.
Um exemplo recente mostra esse poder. O simples adiamento de uma reunião do grupo já foi suficiente para fazer o preço do barril cair mais de 4% em um único dia, levando o Brent para abaixo de US$ 80.
Quando os países da Opep+ anunciam cortes coordenados, como os cerca de 2 milhões de barris por dia acordados para determinados períodos, o mercado reage ajustando expectativas de oferta — e os preços sobem ou caem conforme o tamanho e a credibilidade da decisão.
Qual é o papel da Arábia Saudita e da Rússia?
Dentro da Opep+, dois países exercem protagonismo claro: Arábia Saudita e Rússia. Juntos, eles lideram negociações, influenciam consensos e frequentemente dão o tom das decisões.
A Arábia Saudita é a maior exportadora de petróleo do mundo, enquanto a Rússia é um dos principais fornecedores globais de energia. Quando esses dois países alinham interesses, o impacto costuma ser global.
Por que o Brasil foi convidado para a Opep+?
O convite ao Brasil ocorreu em meio à agenda internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi confirmado durante a COP28.
Segundo Lula, a participação brasileira teria um objetivo estratégico: dialogar com produtores de petróleo sobre a transição energética e o fim gradual dos combustíveis fósseis, usando os recursos atuais para financiar investimentos em energia limpa.
O convite, no entanto, gera debates internos, já que o Brasil busca equilibrar sua posição como produtor relevante de petróleo com compromissos ambientais.
A Opep+ já causou grandes choques econômicos?
Sim — e mais de uma vez. Em 1973, a Opep usou seu poder de barganha ao impor um embargo de petróleo, durante a Guerra do Yom Kippur. O resultado foi histórico: o preço do barril quase triplicou, marcando o primeiro grande choque do petróleo.
Anos depois, crises no Irã e a Guerra Irã-Iraque provocaram um novo choque, reforçando como decisões do bloco podem reverberar na economia global.
Como conflitos geopolíticos entram nessa equação?
Guerras e tensões no Oriente Médio sempre colocam a Opep+ no centro das atenções. Conflitos como o entre Israel e Hamas geram medo de interrupções na produção ou em rotas estratégicas, o que pode provocar altas especulativas nos preços do petróleo.
Caso a instabilidade se espalhe para países produtores-chave, o impacto pode ser em cadeia: combustíveis mais caros, inflação global pressionada, juros mais altos e queda no crescimento econômico.
A Opep+ ainda é tão poderosa quanto antes?
Especialistas avaliam que, embora o mundo tenha mudado, a Opep+ segue extremamente relevante. A diversificação energética avançou, mas o petróleo ainda está na base da economia global.
Hoje, as decisões do bloco não têm o mesmo impacto explosivo de 50 anos atrás, mas continuam sendo determinantes para o equilíbrio do mercado de energia.
Para quem acompanha economia, investimentos ou geopolítica, entender a Opep+ deixou de ser opcional. E para seguir de olho nesses movimentos que mexem com o mundo, vale acompanhar nossas análises e continuar navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
O que significa Opep+?
É a aliança entre a Opep e países produtores associados, como a Rússia, para coordenar a produção de petróleo.
A Opep+ controla o preço do petróleo?
Não controla diretamente, mas influencia fortemente ao ajustar a oferta global.
Por que as reuniões da Opep+ mexem tanto com o mercado?
Porque qualquer sinal de corte ou aumento de produção altera expectativas de preço.
O Brasil já é membro da Opep+?
O país foi convidado como associado, e a participação ainda está em avaliação.
Conflitos no Oriente Médio impactam decisões da Opep+?
Sim. Guerras e tensões aumentam o risco de oferta e afetam diretamente as estratégias do bloco.









