3.9 C
Nova Iorque
26.2 C
São Paulo
sexta-feira, janeiro 9, 2026
spot_img

Onde investir em 2026 com a queda dos juros no radar do mercado

Depois de um 2025 histórico para a Bolsa brasileira, mesmo com juros elevados, o ano de 2026 começa com um novo dilema para quem investe: como posicionar a carteira diante da expectativa de queda da Selic, sem ignorar os riscos fiscais e o peso de um ano eleitoral.

O consenso do mercado é que o ciclo de cortes de juros deve começar no primeiro semestre, após um longo período da Selic em 15% ao ano. As projeções indicam que a taxa pode encerrar 2026 em torno de 12,25%, abrindo espaço para mudanças importantes na estratégia de investimentos.

Ao mesmo tempo, o próprio presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, tem reforçado um discurso cauteloso, deixando claro que o Copom não dará sinais antecipados e prefere aguardar dados mais sólidos antes de qualquer decisão.

Nesse cenário, especialistas apontam quatro grandes frentes de oportunidade para 2026: Bolsa brasileira, renda fixa em transição, inteligência artificial e diversificação internacional.

Bolsa brasileira ainda parece barata mesmo após recordes

Mesmo com o Ibovespa renovando máximas históricas em 2025, boa parte do mercado avalia que as ações brasileiras continuam negociando a múltiplos descontados. O índice chegou a ultrapassar os 164 mil pontos, impulsionado por fluxo estrangeiro, resultados corporativos e expectativa de juros mais baixos.

Hoje, o Ibovespa negocia perto de 9 vezes o lucro projetado, abaixo da média histórica. Isso significa que, apenas para retornar a patamares considerados “normais”, as ações poderiam subir cerca de 25%, segundo estimativas de mercado.

A equipe da XP projeta um Ibovespa em 185 mil pontos, com potencial de valorização próximo de 17,5% em 2026, assumindo início dos cortes da Selic em março e juros reais de longo prazo ao redor de 7%.

Setores que podem se beneficiar mais da queda dos juros

Com a virada do ciclo monetário, analistas destacam alguns segmentos com maior sensibilidade positiva:

  • Sensíveis a juros: B3 e BTG Pactual, beneficiados pela migração de recursos da renda fixa
  • Imobiliário e varejo: custo de capital menor tende a destravar consumo e investimentos
  • Utilities e saneamento: Sabesp e Equatorial, com geração de caixa previsível
  • Commodities defensivas: Suzano e PRIO, protegidas pelo dólar e com forte caixa

O ponto-chave para 2026, segundo analistas, será seletividade: empresas com baixo endividamento, geração de caixa consistente e balanços sólidos tendem a se destacar.

Renda fixa ainda paga bem, mas exige estratégia de transição

Apesar da expectativa de queda da Selic, a renda fixa continua extremamente relevante em 2026, especialmente no início do ano. O cenário é de transição, no qual o investidor pode aproveitar taxas elevadas para travar bons retornos.

A recomendação predominante é não abandonar os pós-fixados de forma abrupta, mantendo títulos atrelados ao CDI ou à Selic como base da carteira, sobretudo para reserva de emergência e liquidez.

Ao mesmo tempo, começa a fazer sentido migrar gradualmente para títulos prefixados e atrelados à inflação, principalmente com vencimentos intermediários, evitando prazos longos em um ambiente ainda volátil do ponto de vista fiscal.

Inteligência artificial segue como megatendência global

Se 2025 foi o ano em que a IA dominou os mercados, 2026 tende a consolidar essa tendência no longo prazo. Analistas do BTG Pactual avaliam que não se trata de uma bolha, mas de um ciclo estrutural, sustentado por empresas lucrativas e investimentos reais.

Os gastos globais com infraestrutura de IA devem se aproximar de US$ 1,2 trilhão por ano, incluindo data centers, chips e computação em nuvem. Diferente da bolha das pontocom, os retornos já estão aparecendo.

Entre os principais destaques do tema estão:

  • Microsoft, com IA integrada ao Azure e softwares corporativos
  • Nvidia, líder absoluta em chips para data centers
  • Amazon, via AWS e IA generativa

Para quem busca diversificação, ETFs globais focados em tecnologia e IA seguem como alternativa prática.

Investir no exterior vira regra, não exceção

Outro consenso para 2026 é a necessidade de diversificação internacional. Especialistas recomendam manter ao menos 15% do patrimônio fora do Brasil, independentemente do perfil de risco.

Nos Estados Unidos, apesar de o Federal Reserve ainda mostrar cautela com cortes de juros, os Treasuries oferecem rendimentos próximos de 5% ao ano, vistos como oportunidade relevante para renda fixa em dólar.

Ao mesmo tempo, analistas enxergam menos espaço para fortes altas no S&P 500, após três anos consecutivos de valorização. Por isso, mercados emergentes — com destaque para a China — aparecem como alternativa mais descontada para 2026.

O que fica de lição para 2026

O ano que começa exige equilíbrio. A queda dos juros tende a favorecer ativos de risco, mas o ambiente político e fiscal pede cautela. A estratégia vencedora deve combinar Bolsa seletiva, renda fixa inteligente, exposição à IA e diversificação global.

Para continuar acompanhando análises práticas, oportunidades de investimento e decisões que realmente importam para o seu bolso, continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

A Selic deve cair mesmo em 2026

O mercado espera cortes no primeiro semestre, mas o BC segue cauteloso

Ainda vale investir na Bolsa após recordes

Sim, analistas apontam múltiplos ainda descontados

Renda fixa perde atratividade com queda dos juros

Não imediatamente, o carrego segue elevado no início do ano

IA é bolha ou tendência

Especialistas veem a IA como tendência estrutural de longo prazo

Investir no exterior é obrigatório em 2026

Não é obrigatório, mas altamente recomendado para diversificação

spot_img

Artigos Relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Fique Conectado
20,145FãsCurtir
51,215SeguidoresSeguir
23,456InscritosInscrever
Publicidadespot_img

Veja também

Brasilvest
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.