A Nigéria, país mais populoso da África, vive um dos momentos mais violentos de sua história recente. Ataques a vilarejos, massacres de civis, sequestros em massa e mortes de militares se intensificaram nas últimas semanas, revelando um cenário explosivo que mistura disputas religiosas, conflitos étnicos, mudanças climáticas e terrorismo internacional.
O agravamento da crise chamou atenção global após bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos em parceria com o governo nigeriano, sob a justificativa de combater grupos ligados ao Estado Islâmico. Mesmo assim, a violência continua avançando, deixando milhares de mortos e milhões de deslocados internos.
O que está por trás da onda de violência na Nigéria?
A violência na Nigéria não é um fenômeno novo, mas atingiu um novo patamar em 2025 e início de 2026. Segundo análises acadêmicas e relatórios internacionais, o conflito é alimentado por múltiplas camadas de crise, que se reforçam mutuamente.
Entre os principais fatores estão:
- Disputas por terra e recursos naturais
- Conflitos religiosos entre muçulmanos e cristãos
- Expansão de grupos extremistas armados
- Baixa presença e falhas do Estado
- Corrupção estrutural
- Impactos diretos das mudanças climáticas
Essa combinação cria um ambiente de instabilidade permanente, onde ataques retaliatórios se tornam rotina.
Conflitos entre pastores e fazendeiros: o epicentro da crise
Um dos focos centrais da violência envolve pastores nômades da etnia Fulani, majoritariamente muçulmanos, e fazendeiros cristãos sedentários, sobretudo no centro e no sul do país.
Com secas prolongadas e chuvas imprevisíveis, os pastores são forçados a migrar cada vez mais para o sul em busca de água e pasto. Esse deslocamento provoca choques diretos com comunidades agrícolas, resultando em:
- Saques a vilarejos
- Destruição de plantações
- Incêndios de casas, igrejas e hospitais
- Assassinatos em massa
Um dos episódios mais graves foi a crise no estado de Benue, em junho de 2025, que deixou mais de 200 mortos.
Grupos armados e terrorismo ampliam o caos
Além dos conflitos locais, a Nigéria enfrenta a atuação crescente de grupos armados organizados. Alguns são conhecidos apenas como “bandidos”, com baixa estrutura formal, enquanto outros operam de maneira mais sofisticada.
Entre os mais perigosos estão:
- Lakurawa, grupo extremista islâmico
- Boko Haram
- ISWAP, braço regional do Estado Islâmico
Esses grupos executam ataques coordenados, geralmente à noite, usando armas de fogo, machetes, incêndios criminosos e minas terrestres. Há indícios de coordenação direta com redes do Estado Islâmico no Sahel, o que amplia o alcance e a letalidade dos ataques.
Ataques recentes chocaram o país
Nos últimos dias, episódios brutais evidenciaram a gravidade da situação:
- Mais de 30 civis mortos em um ataque a um mercado no vilarejo de Demo, no estado de Niger
- Sequestros em massa, incluindo mulheres e crianças
- Nove soldados mortos após um comboio militar acionar uma mina terrestre no estado de Borno
- Explosões em locais religiosos, incluindo mesquitas, com vítimas fatais
Em muitos casos, moradores relatam que não houve resposta das forças de segurança, mesmo após alertas prévios.
Falhas do Estado e suspeitas graves
Analistas apontam que a violência é agravada por:
- Resposta lenta ou inexistente das forças armadas
- Falta de governança em áreas rurais
- Suspeitas de conivência entre militares e grupos armados
Plataformas independentes de monitoramento, como sistemas de verificação de imagens e vídeos, indicam que ataques seguem padrões semelhantes, sugerindo planejamento e coordenação — não ações isoladas.
Bombardeios dos EUA entram no conflito
A escalada da violência levou os Estados Unidos a intervir diretamente. O presidente Donald Trump autorizou ataques aéreos conjuntos com o governo nigeriano, alegando a existência de uma ameaça extrema contra cristãos no país.
Trump chegou a afirmar que há um “genocídio” em curso, declaração contestada pelo governo da Nigéria, que sustenta que muçulmanos e cristãos são vítimas da violência, sem distinção.
O governo nigeriano, liderado pelo presidente Bola Tinubu, afirma que os bombardeios fazem parte de uma cooperação estratégica de segurança, baseada em compartilhamento de inteligência.
Um país à beira do colapso humanitário
Estimativas indicam que mais de 3,4 milhões de pessoas já foram deslocadas internamente pela violência. Comunidades inteiras vivem sob medo constante, sem acesso adequado a segurança, saúde ou alimentação.
A Nigéria enfrenta hoje não apenas uma crise de segurança, mas um desafio humanitário e político profundo, com reflexos diretos em toda a África Ocidental.
Entender o que acontece no país é essencial para acompanhar os desdobramentos geopolíticos globais, conflitos religiosos e os impactos das mudanças climáticas em regiões vulneráveis.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que a violência aumentou tanto na Nigéria?
Por uma combinação de conflitos étnicos, religiosos, crise climática, terrorismo e falhas do Estado.
Quem são os principais grupos armados no país?
Boko Haram, ISWAP, Lakurawa e grupos conhecidos como “bandidos”.
Qual o papel das mudanças climáticas no conflito?
Secas e chuvas irregulares forçam migrações, aumentando disputas por terra e recursos.
Os EUA estão envolvidos militarmente na Nigéria?
Sim. Realizaram bombardeios conjuntos contra alvos ligados ao Estado Islâmico.
A violência atinge apenas cristãos?
Não. Tanto cristãos quanto muçulmanos são vítimas, segundo o governo nigeriano.









