O prêmio de risco dos mercados emergentes caiu para o menor patamar em 13 anos, acendendo um sinal claro de mudança no humor dos investidores globais. Em meio à melhora fiscal de vários países em desenvolvimento e à saída gradual de recursos dos Estados Unidos, o apetite por dívida soberana emergente ganhou força e surpreendeu até gestores mais cautelosos.
Na prática, isso significa que o mercado passou a exigir menos retorno adicional para investir em títulos de países emergentes quando comparados aos títulos do Tesouro americano. Um movimento que não acontece por acaso e revela uma combinação rara de fundamentos mais sólidos e cenário internacional favorável.
Queda histórica do prêmio de risco chama atenção do mercado
De acordo com dados do JPMorgan Chase, o spread médio exigido para títulos soberanos de mercados emergentes denominados em dólar caiu para cerca de 2,5 pontos percentuais em relação aos Treasuries. Esse é o nível mais baixo desde janeiro de 2013.
Para efeito de comparação, no auge da pandemia de Covid-19, esse prêmio chegou a ser quase cinco pontos percentuais maior. A queda atual mostra como a percepção de risco mudou de forma estrutural, e não apenas pontual.
Ajuste fiscal e apoio do FMI fortalecem emergentes
Um dos principais motores desse movimento é a melhora visível nos fundamentos econômicos. Diversos países emergentes passaram por reestruturações de dívida, adotaram reformas fiscais e contaram com apoio do Fundo Monetário Internacional para reorganizar suas contas.
Hoje, essas economias registram, em média, superávit em conta corrente, enquanto países desenvolvidos operam no vermelho. Esse contraste reforça a atratividade relativa dos emergentes em um momento em que investidores buscam equilíbrio entre risco e retorno.
Crescimento maior que o das economias avançadas sustenta o rali
Outro ponto decisivo está no crescimento econômico. As projeções indicam que o mundo em desenvolvimento deve crescer ao menos 2,4 pontos percentuais acima das economias avançadas, tanto no ano passado quanto neste ano.
Esse diferencial cria um ambiente propício para ganhos em títulos soberanos, especialmente em um cenário de juros globais em possível trajetória de queda.
Fluxo de capital sai dos EUA e busca diversificação
Com expectativas de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve e ampla liquidez global, investidores passaram a buscar alternativas fora dos Estados Unidos. A diversificação geográfica voltou a ser prioridade, impulsionando fundos focados em dívida emergente.
O Bloomberg EM Sovereign Total Return Index começou 2026 em alta, depois de entregar ganho superior a 13% em 2025, reforçando a atratividade da classe de ativos.
Ambiente “Cachinhos Dourados” anima gestores globais
Para gestores internacionais, o cenário atual combina fundamentos estáveis, inflação mais controlada e expectativa de cortes de juros. Anders Faergemann, da PineBridge, destacou que os fundamentos dos emergentes estão mais fortes e que fatores técnicos seguem favoráveis, mesmo com spreads historicamente apertados.
Já Luis Olguin, da William Blair, afirmou que, se o Fed continuar reduzindo juros, títulos de emergentes com duration longa ainda podem gerar ganhos relevantes de capital.
CDS também caem e indicam menor medo de calote
O otimismo não ficou restrito aos títulos. Os credit default swaps (CDS) — usados como proteção contra calotes — também registraram queda expressiva. Segundo a S&P Global Markit, o prêmio médio de CDS de emergentes caiu para 124 pontos-base, o menor nível em oito anos.
Esse movimento reforça a leitura de que o mercado vê menos risco sistêmico nos países em desenvolvimento neste momento.
Diante desse cenário, investidores atentos já começam a se posicionar para aproveitar oportunidades que não apareciam há mais de uma década. Para acompanhar análises como essa e entender os impactos no seu bolso, continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
O que é o prêmio de risco dos mercados emergentes?
É o retorno adicional que investidores exigem para comprar títulos de países emergentes em vez de ativos considerados mais seguros, como os Treasuries.
Por que o prêmio de risco caiu tanto agora?
A queda está ligada à melhora fiscal, reformas econômicas, crescimento maior e saída de recursos dos EUA em busca de diversificação.
Isso significa que investir em emergentes ficou mais seguro?
Relativamente, sim. O mercado percebe menos risco, mas ainda existem diferenças relevantes entre os países.
O Fed influencia esse movimento?
Sim. A expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve aumenta o apetite por ativos de maior retorno, como a dívida emergente.
O cenário deve continuar em 2026?
Analistas acreditam que sim, desde que o ambiente global siga com liquidez elevada e crescimento estável.









