A sucessão do governador Eduardo Leite no Rio Grande do Sul já começou em clima de forte polarização ideológica. Com Leite de saída para disputar o Senado em 2026, PT e PL apostam em discursos opostos ligados ao MST para dominar o debate eleitoral e mobilizar suas bases no estado.
De um lado, o PT lança a pré-candidatura de Edegar Pretto, dirigente da Conab e filho de um dos fundadores do MST. Do outro, o PL aposta no deputado federal Luciano Zucco, nome fortemente associado à pauta anti-MST após presidir a CPI do movimento em 2023.
O embate promete dividir o eleitorado entre palanques “pró” e “anti-MST”, deslocando o foco do debate para temas ideológicos e deixando em segundo plano a tentativa de continuidade administrativa defendida pelo atual governador.
Eduardo Leite tenta construir sucessor fora da polarização
Enquanto PT e PL se movimentam com discursos opostos, Eduardo Leite tenta unificar sua base política em torno do vice-governador Gabriel Souza. A estratégia, porém, enfrenta obstáculos.
Aliados de partidos como PDT e PSDB resistem a uma candidatura única, e nomes como Juliana Brizola seguem fortes no campo de centro. Pesquisas anteriores mostram que Juliana concentra boa parte do eleitorado que avalia positivamente a gestão Leite, o que dificulta a transferência direta de votos ao vice.
PT aposta em origem no MST, mas vê riscos eleitorais
A escolha de Edegar Pretto dentro do PT não foi consenso. Nos bastidores, dirigentes reconhecem que a ligação histórica com o MST gera resistências em parte do eleitorado gaúcho, especialmente no interior e entre produtores rurais.
Apesar disso, Pretto sustenta que sua trajetória na Conab demonstra capacidade de diálogo e gestão. Ele afirma ter respaldo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e resultados concretos para apresentar ao setor agropecuário.
O PT também busca fortalecer o palanque estadual com uma chapa robusta ao Senado, incluindo nomes como Paulo Pimenta e Manuela D’Ávila.
PL transforma pauta anti-MST em bandeira central
Do lado oposto, o PL vê na rejeição ao MST uma vantagem eleitoral clara. Luciano Zucco construiu projeção estadual ao comandar a CPI do MST e adotar discurso duro contra invasões de terra e ações do movimento.
A chapa ao Senado reforça essa estratégia, com os deputados Ubiratan Sanderson e Marcel Van Hattem, ambos alinhados à base do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Integrantes do partido avaliam que a agenda de defesa da propriedade privada tende a ganhar força em 2026, principalmente diante do desgaste do governo federal em setores do agronegócio.
Eleição no RS deve antecipar clima nacional de 2026
A disputa no Rio Grande do Sul sinaliza um ensaio do embate nacional entre lulismo e bolsonarismo, agora transposto para o plano estadual. A sucessão de Eduardo Leite, que tenta se manter como alternativa de centro, corre o risco de ser engolida por uma eleição marcada por extremos.
Com palanques cada vez mais ideológicos e pouco espaço para consensos, o estado deve viver uma das campanhas mais tensas dos últimos anos.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que o MST virou centro da disputa no RS?
Porque PT e PL usam o tema para mobilizar suas bases e polarizar o eleitorado.
Quem é o candidato do PT ao governo gaúcho?
Edegar Pretto, ligado historicamente ao MST e atual presidente da Conab.
Quem representa o campo anti-MST?
O deputado Luciano Zucco, do PL, que presidiu a CPI do MST.
Eduardo Leite terá candidato próprio?
Ele tenta viabilizar o vice Gabriel Souza, mas enfrenta resistência dentro da base.
A eleição no RS pode influenciar o cenário nacional?
Sim, é vista como um termômetro da polarização para 2026.









