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Quando se fala em tornozeleira eletrônica, muita gente imagina que seja fácil burlar o monitoramento. Mas, segundo fabricantes, a realidade é bem diferente: menos de 1% dos usuários tenta romper o equipamento. E quem tenta, se complica — porque tudo fica registrado.
O uso das tornozeleiras no Brasil cresceu de forma impressionante. Em 2016, eram apenas 6 mil pessoas monitoradas. Hoje, são 122 mil em prisão domiciliar, dentro de um universo de quase 1 milhão de apenados. O avanço da tecnologia e a redução de custos explicam por que o monitoramento eletrônico se tornou cada vez mais comum.
Por que quase ninguém tenta violar a tornozeleira?
O presidente da Spacecom Monitoramento SA, Sávio Bloomfield, afirma que a imensa maioria entende que violar o equipamento só traz problemas. Segundo ele, menos de 1% tenta danificar ou romper a tornozeleira — e sempre deixa rastro.
Ele faz um alerta direto: “Vai ficar registrado no seu prontuário e você vai responder à Justiça. Eu não tentaria fazer isso.”
Na prática, qualquer tentativa de violação — seja corte, furo, impacto, aquecimento ou interferência metálica — é detectada. Sensores internos identificam variações bruscas e avisam instantaneamente às centrais de monitoramento.
O que acontece quando alguém tenta burlar o sistema?
As tornozeleiras são projetadas para registrar cada detalhe: carga da bateria, sensores de impacto, temperatura, deslocamento e tentativas de abertura.
Bloomfield explica que a empresa recebe de volta equipamentos cortados, furados ou quebrados — mas nunca houve caso em que não fosse possível identificar exatamente o que aconteceu.
Segundo ele, “só não sabemos a cor da cueca do preso, mas o resto eu sei.”
Além disso, a central da empresa trabalha junto com o Estado. Qualquer suspeita ou alerta é comunicado imediatamente ao sistema penitenciário, que decide sobre medidas ou sanções.
O caso Bolsonaro chamou atenção — mas é exceção?
O episódio envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro — que admitiu usar um ferro de solda na tornozeleira — foi considerado uma raridade. E, segundo Bloomfield, não faz parte do histórico da Spacecom, já que a empresa não era responsável pelo equipamento utilizado.
Tentativas como essa não são comuns. A maior parte das violações ocorre de forma mais “tradicional”: cortes na cinta ou danos físicos no dispositivo.
Por que a tornozeleira se tornou uma alternativa tão usada pela Justiça?
O monitoramento eletrônico ganhou força porque é muito mais barato e menos danoso socialmente do que manter alguém encarcerado.
Um preso custa ao Estado cerca de R$ 3 mil por mês. Já uma tornozeleira custa, em média, R$ 260.
Além disso, evita superlotação, reduz impacto familiar e funciona como alternativa para:
- progressão de regime
- medidas protetivas
- saída temporária
- falta de vagas no sistema prisional
Com o tempo, o Judiciário passou a confiar mais nos equipamentos — especialmente porque a taxa de evasão é baixíssima.
Como funciona o monitoramento na prática?
A tornozeleira usa tecnologia por satélite para enviar a localização exata do usuário. Os sensores registram qualquer tentativa de:
- corte
- aquecimento
- impacto
- interferência metálica
- retirada da cinta
O usuário deve manter a bateria carregada, atender contatos do monitoramento e obedecer às áreas permitidas.
Bloomfield relata casos curiosos, como um preso que tentou levar o dispositivo a uma assistência técnica, mas acabou preso junto com o técnico — tudo graças aos registros automáticos da tornozeleira.
A tecnologia é inviolável?
Nenhum equipamento é 100% inviolável. Mas Bloomfield garante: a violação sempre deixa prova.
E essa prova vai direto para a Justiça.
Por isso, segundo o fabricante, a tentativa é praticamente um tiro no pé: a pessoa será penalizada, e o registro será permanente.
Conclusão
O crescimento do monitoramento eletrônico no Brasil mostra que a tecnologia pode ser uma solução eficaz e econômica para o sistema penal. E, ao contrário do imaginado, romper uma tornozeleira não é tão simples — e quase ninguém tenta.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
É verdade que menos de 1% tenta romper a tornozeleira?
Sim. Segundo fabricantes, menos de 1% tenta violar o equipamento, e todas as tentativas deixam registro.
O que acontece quando a tornozeleira é danificada?
O sistema detecta a violação e informa imediatamente a central, que envia os dados à Justiça.
Por que a tornozeleira é tão usada hoje no Brasil?
Ela reduz custos, evita superlotação e permite acompanhar a pena com tecnologia de alta precisão.
É possível desligar a tornozeleira?
Não. Qualquer tentativa de desligamento, corte ou interferência é registrada pelos sensores internos.
A tornozeleira usa GPS?
Sim. Ela envia a localização do usuário por satélite e também monitora bateria, impactos e temperatura.
O que fazer se a tornozeleira apresentar defeito?
O usuário deve comunicar imediatamente às autoridades. Qualquer falha ignorada pode ser vista como tentativa de violação.









