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Quando um movimento começa a se repetir entre dezenas de empresas ao mesmo tempo, o mercado presta atenção. E é exatamente isso que vem acontecendo com os programas de recompra de ações na B3, que estão no maior patamar da história — um sinal que, para muitos analistas, pode indicar que a bolsa brasileira ainda tem fôlego para subir.
Hoje, existem 128 programas de recompra ativos, envolvendo mais de um terço das grandes empresas da B3. Só em 2024 foram 126 anúncios, o maior número desde 2005, e em 2025 novos programas continuam surgindo.
Para entender o que isso significa, é preciso olhar tanto para o passado quanto para a leitura que as próprias empresas fazem de seus preços na bolsa.
Por que tantas empresas estão recomprando ações agora?
Segundo Daniel Gewehr, chefe de estratégia de ações do Itaú BBA, a recompra costuma acontecer quando a empresa acredita que suas ações estão baratas demais em relação ao seu valor real. Ou seja, seria mais vantajoso investir em si mesma do que direcionar o dinheiro para outras áreas.
E isso liga um alerta positivo: quando esse movimento perde força, geralmente significa que o preço já “igualou” ao valor justo.
Não por acaso, 126 programas foram anunciados em 2024, com outros 67 iniciados este ano — muitos deles renovando autorizações anteriores.
Recompra pode antecipar um novo ciclo de alta?
A história mostra que sim. Gewehr cita uma sequência de momentos importantes:
– 2008: em meio a um ano turbulento e forte queda da bolsa, houve 80 programas de recompra. Resultado? Ibovespa +82,66% no ano seguinte.
– 2015: 92 programas anunciados; em 2016, o índice subiu 38,93%.
– 2021: 118 anúncios; em 2022, mais 22% de alta.
– 2024: 126 anúncios; em 2025, o Ibovespa avança quase 50%.
Mesmo após esse salto, as recompras seguem aceleradas — o que, para muitos analistas, reforça a percepção de que o valuation brasileiro continua atrativo.
Quais setores mais estão recomprando suas ações?
Historicamente, quem liderava esse movimento eram empresas de commodities. Mas o cenário mudou. Segundo João Daronco, analista da Suno Research, os destaques agora estão nos setores mais estáveis, especialmente aqueles com muita geração de caixa, como:
– Utilities (serviços públicos) — hoje, são os maiores programas em aberto.
– Energia e saneamento.
– Consumo não durável, como supermercados e bebidas.
Além disso, empresas como a B3 (B3SA3) têm recompra recorrente, já que não possuem tantas alternativas de alocação para o excesso de capital além de dividendos ou recompras.
Recompra é sempre positiva?
Não necessariamente. Daronco explica que é preciso analisar o contexto. A recompra aumenta a participação do acionista, reduz ações em circulação e eleva o lucro por ação — tudo ótimo. Mas existem riscos:
– Se a empresa recompra a preços muito altos, destrói valor.
– Se recompra ao mesmo tempo em que aumenta dívidas, pode comprometer o futuro.
– Em alguns casos, poderia ser mais vantajoso pagar dividendos ou reduzir endividamento.
Portanto, recompra é um excelente sinal, mas não deve ser interpretado como garantia de valorização futura.
Quanto as empresas ainda podem recomprar?
Um estudo do Itaú BBA aponta que, em novembro, 100 empresas tinham R$ 98,5 bilhões em recompras autorizadas e não executadas. Entre 16 de outubro e 19 de novembro, outras seis empresas anunciaram novos programas:
Ambev (ABEV3), Panvel (PNVL3), Pague Menos (PGMN3), Embraer (EMBR3), Grendene (GRND3), SLC Agrícola (SLCE3), Equatorial (EQTL3) e Boa Safra Sementes (SOJA3).
No acumulado do ano, já foram recomprados R$ 19,5 bilhões, com outros R$ 79 bilhões de potencial futuro.
Entre os setores com maiores recompras proporcionais ao valor de mercado:
– Utilities: 6,2%
– Consumo não durável: 4,9%
– Energia: 2,9%
Esses movimentos reduzem o número de ações circulando, aumentam o lucro por ação e tendem a beneficiar investidores no longo prazo.
Conclusão: recompras recordes são bom sinal para a bolsa?
A resposta curta é: sim, mas com cautela.
O volume histórico de programas de recompra sugere que as empresas brasileiras ainda enxergam suas ações baratas, mesmo após a forte alta do Ibovespa. E, historicamente, esse comportamento precede ciclos positivos.
Mas acompanhar o contexto de cada empresa é essencial.
Para seguir acompanhando movimentos como esse — e entender como eles impactam seus investimentos — continue navegando pelo Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQs)
O que significa um programa de recompra de ações?
É quando a empresa compra suas próprias ações, reduz o número de papéis no mercado e aumenta a participação dos acionistas remanescentes.
Recompra indica que a ação está barata?
Geralmente sim. A recompra costuma ser vista como sinal de valuation atrativo, já que a empresa prefere investir nela mesma.
Todos os setores estão recomprando?
Os maiores volumes hoje vêm de utilities, consumo não durável e energia, impulsionados pela forte geração de caixa.
Recompra sempre beneficia o acionista?
Na maioria das vezes, sim. Mas depende das condições: preço pago, endividamento e estratégia da empresa.
Qual é o impacto no lucro por ação?
Com menos ações circulando, o lucro por ação aumenta, beneficiando diretamente o investidor.
A recompra indica alta garantida da bolsa?
Não garante, mas historicamente antecedeu anos positivos no Ibovespa.









