Dois anos após lançar seu primeiro carro 100% elétrico, a Rolls-Royce Motor Cars começou a rever o entusiasmo com a eletrificação total. O Spectre, cupê elétrico de cerca de US$ 420 mil, perdeu tração no mercado e viu suas vendas despencarem em 2025, sinalizando que nem mesmo os ultrarricos estão totalmente convencidos pelos elétricos.
O movimento marca uma inflexão importante. A marca, que chegou a acenar com a ideia de se tornar totalmente elétrica até o fim da década, agora deixa claro que os motores V12 continuarão vivos enquanto houver demanda dos clientes.
O que aconteceu com o Spectre?
Quando o Spectre chegou ao mercado no fim de 2023, o apelo foi imediato. Silêncio absoluto, aceleração de esportivo e a promessa de um novo capítulo para o luxo automotivo. O modelo teve um primeiro ano forte, mas o fôlego acabou rápido.
Nos três primeiros trimestres de 2025, as entregas do Spectre caíram 45% na comparação anual. No mesmo período, as vendas totais da Rolls-Royce até cresceram, mostrando que o problema não é a marca, mas o modelo elétrico em si. A participação do Spectre no mix despencou de cerca de um terço para menos de 20%.
Bilionários estão desistindo dos elétricos?
Não exatamente desistindo, mas hesitando. Segundo a própria Rolls-Royce, o comportamento segue um padrão conhecido: grande curiosidade no lançamento, seguida por estabilização em um patamar menor de demanda — algo que já aconteceu com outros cupês da marca no passado.
Além disso, o Spectre enfrenta desafios específicos. É um cupê de duas portas, enquanto SUVs como o Cullinan seguem muito mais desejados, inclusive entre os clientes mais ricos. Soma-se a isso um cenário global em que a transição para elétricos perdeu ritmo, com governos suavizando metas e consumidores ficando mais cautelosos.
V12 segue vivo — e desejado
O recado da montadora é direto: o cliente manda. O CEO Chris Brownridge afirmou que a empresa continuará lançando modelos elétricos, mas sem abrir mão dos motores a combustão de alto desempenho.
Enquanto houver demanda por V12, eles seguirão sendo produzidos. A vantagem da Rolls-Royce é operacional: a fábrica consegue montar elétricos e V12 na mesma linha, mantendo flexibilidade total.
Personalização vira ainda mais prioridade
Se o elétrico esfriou, a personalização segue fervendo. A marca está dobrando o tamanho da fábrica de Goodwood para atender à demanda por carros sob encomenda, com cores exclusivas, interiores artesanais e detalhes feitos à mão.
Hoje, o preço médio de venda ultrapassa £500 mil, contra cerca de £300 mil uma década atrás. Alguns clientes pagam mais de £1 milhão por um único carro, impulsionando margens e ajudando a compensar a desaceleração do mercado global de luxo, especialmente na China.
Contexto global joga contra os EVs
A Rolls-Royce não está sozinha nesse ajuste de rota. Montadoras europeias vêm reduzindo metas agressivas de eletrificação após frustração com a demanda. A União Europeia suavizou regras, os EUA mudaram o discurso, e o crescimento dos EVs ficou mais irregular.
No caso do público da Rolls-Royce, há outro detalhe: os proprietários rodam, em média, apenas 6 mil quilômetros por ano. Isso reduz a urgência por soluções elétricas e praticamente elimina a chamada “ansiedade de autonomia”.
O elétrico falhou?
Não. Segundo a própria empresa, o Spectre cumpriu sua missão estratégica: provar que a Rolls-Royce sabe fazer um elétrico à altura do seu padrão. A experiência serviu como laboratório e dá confiança para o futuro, caso o mundo realmente caminhe para a eletrificação total.
Por ora, porém, o luxo extremo parece preferir o ronco do V12 ao silêncio absoluto.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que as vendas do Rolls-Royce Spectre caíram?
Principalmente pela perda do entusiasmo inicial e pela preferência dos clientes por outros formatos, como SUVs.
A Rolls-Royce vai abandonar os carros elétricos?
Não. A marca seguirá lançando elétricos, mas sem abrir mão dos motores V12.
O público de luxo rejeita carros elétricos?
Não rejeita, mas demonstra menor urgência e maior seletividade.
O V12 ainda tem futuro na Rolls-Royce?
Sim. A empresa afirmou que continuará produzindo enquanto houver demanda.
O Spectre foi um fracasso?
Não. Ele cumpriu o papel de demonstrar a capacidade da marca no segmento elétrico.








