O mercado de criptomoedas no Brasil vive uma fase de pressão regulatória, mas também de otimismo. Mesmo com Banco Central (BC) e Receita Federal apertando o cerco sobre exchanges e prestadores de serviço, empresas do setor projetam crescimento forte, em muitos casos de até 100%, segundo levantamento citado pela própria Forbes Brasil.
Setor cripto sob pressão: o que mudou na regulação
Nos últimos meses, o ambiente regulatório ficou muito mais duro. A Receita Federal publicou normas que alinham o Brasil ao padrão da OCDE e criam o DeCripto, exigindo que corretoras estrangeiras também reportem dados de clientes brasileiros, seguindo o modelo do CARF global.
Além disso, o BC avança na regulamentação dos prestadores de serviços de ativos virtuais (PSAVs), com consultas públicas e desenho de regras para autorização, supervisão e integração ao sistema financeiro. A Forbes Brasil destaca que o setor já sente esse movimento no dia a dia, com mais cobrança por compliance, controle de risco e transparência.
Portanto, o recado dos reguladores é claro: não existe mais espaço para operar “à margem”. Quem quer crescer no mercado cripto brasileiro precisa se comportar como instituição financeira regulada.
O que diz a pesquisa com empresas de cripto?
Mesmo com essa pressão, a criptoeconomia vive um momento de consolidação e amadurecimento. Um estudo da ABCripto, em parceria com a PwC, mostra que:
- 90% das empresas apontam a regulação como o principal entrave ao avanço dos negócios.
- 80% veem as criptomoedas como a tecnologia de maior impacto em suas operações.
- 57% projetam crescimento entre 1% e 50% nos próximos anos.
- 40% esperam crescer 100% ou mais.
- 70% tratam a tokenização de ativos como oportunidade estratégica central.
Ou seja, o setor enxerga a regulação como dor de cabeça, mas também como passo necessário para destravar um mercado maior e mais institucional.
Por que existe confiança mesmo com fiscalização mais rígida?
Apesar do aumento de exigências, há alguns fatores que sustentam o otimismo do setor cripto:
- O Brasil já aparece como vanguarda em pagamentos digitais com o Pix e pode repetir o movimento em blockchain e tokenização, segundo a própria ABCripto.
- A nova regulação tende a afastar players oportunistas e abrir espaço para empresas estruturadas, com governança e foco de longo prazo.
- Regras mais claras ajudam a atrair investidores institucionais e grandes empresas, algo que o mercado ainda explora pouco.
Na prática, o novo ambiente favorece quem sabe se adequar rápido, documentar processos e dialogar com reguladores.
Tokenização no centro da estratégia das empresas
Um dos pontos mais interessantes do estudo é a força da tokenização de ativos. Grande parte das empresas avalia que o futuro da criptoeconomia passa por transformar ativos tradicionais – como imóveis, recebíveis, crédito ou até participações societárias – em tokens digitais negociáveis.
Com isso, o setor tenta se afastar da imagem de aposta puramente especulativa e se aproximar de um papel de infraestrutura da economia real.
O que isso muda para investidores e para o ecossistema?
Para quem acompanha o tema, o quadro é duplo: mais cobrança, mas também mais oportunidade.
- Investidores tendem a encontrar exchanges mais profissionalizadas, com controles fiscais e de combate à lavagem de dinheiro mais rígidos.
- Empresas do setor precisam investir em jurídico, compliance e tecnologia, o que pode apertar margens no curto prazo, mas fortalece o mercado no longo prazo.
- A combinação de BC + Receita + ABCripto cria um ambiente em que a regulação não é mais hipótese, e sim realidade em construção.
Portanto, participar desse mercado exige cada vez mais visão de negócio, gestão de risco e planejamento regulatório – tanto para quem empreende quanto para quem investe.
Conclusão: setor cripto na linha de tiro, mas olhando para a frente
O recado da reportagem da Forbes é claro: o setor cripto está na mira do BC e da Receita, porém ele não está encolhendo. Ao contrário, a maioria das empresas fala em expansão e aposta na tokenização e nas criptomoedas como motores de crescimento.
Se as regras forem implementadas com equilíbrio, o Brasil pode ganhar um mercado mais limpo, mais institucional e mais conectado à economia real. Caso contrário, há risco de perda de competitividade e fuga de negócios para outras jurisdições.
Enquanto essa disputa se desenrola, quem acompanha o setor precisa ficar atento às mudanças de norma, à postura dos reguladores e às estratégias das principais empresas cripto do país.
Quer seguir por dentro de como BC, Receita e mercado cripto vão redesenhar as finanças digitais no Brasil? Continue acompanhando as análises e notícias no Brasilvest.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que a Receita Federal mudou para o mercado de criptomoedas?
A Receita alinhou o Brasil ao padrão da OCDE e criou o DeCripto, obrigando também exchanges estrangeiras a reportar operações de clientes brasileiros. As plataformas precisam enviar dados de transações, saldos e usuários, em linha com o Crypto-Asset Reporting Framework (CARF).
Por que o setor cripto diz que a regulação é o maior entrave?
Segundo pesquisa da ABCripto em parceria com a PwC, 90% das empresas enxergam a regulação como principal barreira, seja pelo custo de adaptação, seja pela incerteza sobre regras futuras. Apesar disso, a maior parte ainda projeta crescimento relevante, o que mostra que a crítica não impede a expansão.
As empresas cripto realmente esperam crescer nos próximos anos?
Sim. O estudo citado pela Forbes aponta que 57% das empresas projetam aumentar o negócio entre 1% e 50%, enquanto 40% falam em crescer 100% ou mais, mesmo em meio ao aperto regulatório.
Qual é o papel da tokenização nesse cenário?
A tokenização aparece como uma das principais apostas. Cerca de 70% das empresas tratam a tokenização de ativos como estratégia central, porque ela permite levar para o ambiente digital ativos que hoje circulam com baixa liquidez e custo alto de transação.
O aumento de fiscalização pode afastar investidores do mercado cripto?
No curto prazo, regras mais duras podem assustar parte dos investidores pessoa física. Porém, a longo prazo, especialistas apontam que segurança jurídica e compliance tendem a atrair investidores institucionais e capital mais robusto, fortalecendo o mercado em vez de destruí-lo.
Vale a pena investir em cripto no Brasil nesse contexto?
Para quem aceita alta volatilidade e entende os riscos regulatórios, o momento pode ser interessante, já que o país caminha para um ambiente mais estruturado. Porém, é essencial usar corretoras reguladas, diversificar a carteira e acompanhar de perto as mudanças em BC, Receita e legislação antes de aumentar a exposição.









