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domingo, janeiro 11, 2026
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Tarifas de Trump assustaram o mercado, mas impacto na economia dos EUA foi menor do que o previsto

Quando Donald Trump anunciou tarifas de dois dígitos sobre importações, muitos economistas previram um choque severo na economia dos Estados Unidos. O aumento dos impostos sobre produtos estrangeiros chegou a níveis não vistos em mais de um século e, de fato, os preços subiram e empresas enfrentaram dificuldades. Ainda assim, o impacto final foi bem menor do que o esperado.

Na prática, o efeito das tarifas ficou diluído ao longo de 2025. O consumidor sentiu no bolso, mas não houve um colapso generalizado da atividade econômica. Um estudo recente ajuda a explicar por que o cenário ficou longe do desastre anunciado por parte do mercado.

Por que as tarifas pagas foram menores do que as anunciadas?

Pesquisadores de Universidade Harvard e da Universidade de Chicago analisaram dados de arrecadação e comércio exterior e chegaram a uma conclusão clara: a tarifa efetiva paga pelos importadores foi muito menor do que a tarifa divulgada oficialmente.

No fim de setembro, a taxa efetiva era de 14,1%, enquanto a tarifa média anunciada chegava a 27,4%, bem abaixo do pico de 32,8% registrado em abril. Em outras palavras, o peso real das tarifas foi quase metade do que parecia no papel.

Isso ajudou a suavizar os efeitos negativos sobre inflação, consumo e produção industrial.

Isenções e adiamentos ajudaram a conter os impactos

Um dos principais fatores foi a concessão de isenções estratégicas. Produtos que já estavam em navios a caminho dos Estados Unidos quando as tarifas foram anunciadas escaparam da cobrança integral. Como o transporte marítimo leva semanas, o aumento do custo chegou de forma mais lenta ao longo do ano.

Além disso, setores considerados sensíveis, como o de semicondutores, receberam tratamento diferenciado. Apesar do discurso duro, chips e produtos ligados à tecnologia acabaram pagando tarifas bem menores, o que foi visto como um gesto direto ao setor de tecnologia.

Como resultado, chips importados pagaram cerca de 9% de tarifa efetiva, muito abaixo da média aplicada a outros bens.

Canadá e México também escaparam do peso total

Outro ponto decisivo foi o acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá. Grande parte dos produtos fabricados na América do Norte se enquadra nas regras do tratado, o que garante tarifa zero.

Em 2025, cerca de 90% das importações vindas do Canadá e do México foram declaradas como compatíveis com o acordo, um salto expressivo frente ao ano anterior. Isso reduziu ainda mais a carga tarifária efetiva sobre o comércio regional.

Empresas driblaram tarifas na prática?

Sim, e isso também ajudou a reduzir o impacto agregado. A chamada evasão tarifária — muitas vezes ilegal — envolveu mudanças em declarações alfandegárias sobre origem, valor ou composição dos produtos. Essas práticas diminuíram a taxa efetiva paga por diversas empresas.

Com o aumento da pressão de custos, o próprio governo Trump passou a adiar ou recuar em algumas tarifas planejadas. No fim de 2025, houve adiamento de um ano para aumentos sobre móveis, armários e bancadas, além de recuos em setores específicos, como o de massas importadas.

Afinal, quem pagou a conta das tarifas?

Apesar do impacto menor que o esperado, o custo não desapareceu. Segundo os economistas, 94% do peso das tarifas foi absorvido por empresas americanas em 2025, e não por fornecedores estrangeiros, como defendia o discurso oficial.

Na prática, o importador nos EUA paga a tarifa ao governo e, em muitos casos, repassa esse custo ao consumidor final. Estudos mostram que os preços de produtos importados subiram o dobro do observado em produtos domésticos.

Setores como caminhões pesados, autopeças, máquinas agrícolas e equipamentos para petróleo e gás foram os mais afetados.

O que muda no comércio global após as tarifas?

Mesmo sem causar um choque imediato, as tarifas remodelaram o comércio internacional. A participação da China nas importações americanas caiu de 22% em 2017 para apenas 8% no fim de 2025, sinalizando uma mudança estrutural nas cadeias globais de suprimento.

Ou seja, o impacto foi mais estrutural e gradual do que explosivo. As tarifas não quebraram a economia americana, mas mudaram rotas comerciais, elevaram custos e pressionaram empresas ao longo do tempo.

Para continuar acompanhando análises claras sobre economia global, política e impactos no mercado, continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

As tarifas de Trump aumentaram os preços nos EUA?

Sim. Os preços subiram, especialmente de produtos importados, mas de forma menos intensa do que o previsto.

Por que o impacto econômico foi menor?

Porque a tarifa efetiva paga foi menor, graças a isenções, adiamentos e acordos comerciais.

Quem paga as tarifas nos Estados Unidos?

Principalmente empresas americanas, que acabam repassando parte do custo aos consumidores.

As tarifas afetaram o comércio com a China?

Sim. A participação da China nas importações dos EUA caiu de forma significativa.

As tarifas podem aumentar no futuro?

Existe essa possibilidade, mas o governo já demonstrou disposição para conceder exceções e adiamentos.

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