Depois de 26 anos de negociações difíceis, a União Europeia aprovou nesta sexta-feira o aguardado acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura do maior tratado de livre-comércio já firmado pelo bloco europeu. A decisão foi tomada em reunião de embaixadores dos países-membros em Bruxelas e marca uma virada histórica no comércio global.
Mesmo com a oposição aberta da França e de um grupo reduzido de países, a maioria dos membros da UE apoiou o pacto, considerado estratégico em um cenário internacional cada vez mais instável, com disputas comerciais e avanço da influência chinesa sobre a América Latina.
Por que a aprovação do acordo UE-Mercosul é considerada histórica?
O tratado cria a maior área de livre-comércio do mundo, envolvendo cerca de 700 milhões de pessoas e conectando economias da Europa e da América do Sul de forma inédita. Para a Comissão Europeia, o acordo vai além do comércio: é uma ferramenta geopolítica para reposicionar a União Europeia em um mundo mais protecionista.
A aprovação encerra um dos processos de negociação mais longos da história recente da diplomacia comercial, superando resistências políticas, pressões de setores agrícolas e mudanças de governo ao longo de mais de duas décadas.
França vota contra, mas fica isolada na decisão
Apesar do esforço do presidente Emmanuel Macron, a França não conseguiu formar uma minoria de bloqueio. Além dos franceses, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda votaram contra, enquanto a Bélgica optou pela abstenção. O restante dos países apoiou o acordo.
A resistência francesa está diretamente ligada à pressão de agricultores, que temem concorrência de produtos do Mercosul. Ainda assim, Paris perdeu força política dentro do bloco e acabou isolada na votação.
Salvaguardas tentam proteger agricultores europeus
Para garantir o apoio necessário, os países da UE aprovaram mecanismos de salvaguarda que permitem monitoramento rigoroso das importações vindas do Mercosul. O objetivo é proteger o mercado agrícola europeu caso haja um aumento considerado excessivo de produtos sul-americanos.
Entre as propostas discutidas está a redução do gatilho de proteção, de 8% para 5% de crescimento das importações, defendida pela Itália. Ainda não está claro se esse ponto será incorporado ao texto final, mas ele foi fundamental para destravar o apoio político ao acordo.
O que muda na prática para Brasil e Europa?
Para a Europa, setores como automotivo, aviação, máquinas, vinhos e queijos tendem a se beneficiar da redução de tarifas. Já para o Mercosul, o acordo amplia o acesso a um dos mercados mais ricos do mundo, fortalecendo exportações agrícolas e industriais.
O pacto também ganha relevância em um momento de maior tensão no comércio global, com os Estados Unidos ampliando o uso de tarifas e barreiras comerciais.
Próximos passos: assinatura e votação no Parlamento Europeu
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar ao Paraguai na próxima semana para a cerimônia de assinatura formal com os países do Mercosul. Mesmo assim, o acordo ainda precisa passar pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor.
Além disso, partes do tratado que extrapolam a política comercial deverão ser analisadas pelos parlamentos nacionais dos países da União Europeia, o que mantém o tema no radar político por mais algum tempo.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
O acordo UE-Mercosul já está valendo?
Ainda não. Ele precisa ser assinado e aprovado pelo Parlamento Europeu.
Por que a França votou contra o acordo?
Por pressão de agricultores que temem concorrência de produtos do Mercosul.
Quantos países fazem parte do acordo?
Envolve os 27 países da União Europeia e Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
O acordo beneficia o Brasil?
Sim. Amplia o acesso ao mercado europeu e reduz tarifas para diversos produtos.
O tratado pode ser barrado mais adiante?
Pode sofrer atrasos ou ajustes, mas a chance de bloqueio total é considerada baixa.









