A derrubada de Nicolás Maduro após um ataque dos Estados Unidos à Venezuela, no sábado (3), trouxe tensão imediata ao noticiário global. Ainda assim, analistas avaliam que os preços do petróleo não devem sofrer grandes impactos no curto prazo. O motivo principal: o risco geopolítico já estava no preço.
Embora exista a possibilidade de volatilidade pontual na reabertura dos mercados, a leitura predominante é de que não há choque novo de oferta capaz de sustentar uma alta consistente dos contratos.
Por que o petróleo não reagiu com força?
Especialistas apontam que o mercado vinha antecipando um cenário de conflito entre EUA e Venezuela há meses. Isso reduziu o efeito surpresa da operação e, consequentemente, a reação dos preços.
Além disso, o contexto global pesa contra uma alta duradoura: há excesso de oferta e a demanda segue fraca, padrão comum no primeiro trimestre. Com isso, qualquer movimento inicial tende a ser limitado.
Produção venezuelana é pequena no cenário global
Outro ponto-chave é o baixo peso atual da Venezuela na oferta mundial. Apesar de deter as maiores reservas de petróleo do planeta, o país produz muito abaixo do potencial e responde por menos de 1% do fornecimento global.
Esse argumento foi reforçado publicamente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao destacar que a exploração das reservas venezuelanas sempre foi ineficiente sob o regime anterior.
O que dizem as projeções para o Brent?
Analistas ouvidos por veículos internacionais projetam oscilações modestas, na casa de US$ 1 a US$ 2 por barril, quando os futuros reabrirem. Há, inclusive, quem veja leve queda na semana seguinte ao evento, em relação ao último fechamento próximo de US$ 60,75.
Vale lembrar que os contratos futuros do petróleo caíram 18% no ano passado, a maior queda anual desde 2020, pressionados pelo aumento de oferta da OPEP+ e de outros grandes produtores.
Conflito pode até pressionar preços para baixo adiante?
Paradoxalmente, sim. Com a mudança de regime, cresce a expectativa de que, no médio e longo prazo, a Venezuela consiga reconstruir infraestrutura e elevar a produção — ainda que isso leve anos.
Se esse cenário se materializar, a entrada gradual de mais petróleo venezuelano no mercado tende a ampliar a oferta e pressionar preços, sobretudo em um ambiente já marcado por excedentes projetados para 2026.
O papel da OPEP+ e o que vem pela frente
Até agora, OPEP+ não discutiu ajustes específicos relacionados à Venezuela. Delegados consideram prematuro reagir, dado que a normalização da produção do país não é imediata.
Analistas e traders reforçam que a recuperação total pode levar anos, exigindo investimentos pesados e estabilidade política — fatores que ainda estão em aberto.
Resumo do cenário
No curto prazo, o petróleo tende a reagir pouco ao evento. No médio prazo, a variável decisiva será se e quando a Venezuela conseguirá voltar a produzir em escala relevante. Até lá, o mercado segue mais atento à oferta global e à demanda fraca do que à geopolítica pontual.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
A derrubada de Maduro vai fazer o petróleo disparar?
A maioria dos analistas diz que não, porque o risco já estava precificado.
Pode haver alta no curtíssimo prazo?
Sim, mas limitada, na casa de US$ 1 a US$ 2 por barril.
A Venezuela pesa muito na oferta global?
Não. Hoje responde por menos de 1% do fornecimento mundial.
O petróleo pode cair no médio prazo?
Pode, se a Venezuela aumentar a produção após a mudança de regime.
A OPEP+ vai reagir agora?
Por enquanto, não. O grupo considera cedo para ajustes.









