A vida em Teerã em meio à guerra: desemprego, segurança reforçada e apagão de internet
Em Teerã, a agitação das ruas comerciais esconde uma profunda incerteza sobre o futuro do país. A primavera em Teerã apresenta um cenário de aparente normalidade, com ruas movimentadas e lojas abertas. No entanto, por trás dessa fachada, reside uma população que tenta sobreviver ao dia a dia, com suas vidas à mercê de forças que escapam ao seu controle.
Para muitos, como Mohammad, dono de uma sapataria familiar há 40 anos, abrir o negócio é um ato de esperança em meio ao desemprego crescente. Ele relata a escassez de clientes e a dificuldade em adquirir produtos, mesmo falsificados, devido ao alto custo. A situação é agravada pelo bloqueio quase total da internet, que afeta milhões de iranianos e prejudica a economia.
A guerra e o bloqueio digital imposto pelo governo podem ter impactado até 4 milhões de empregos, segundo estimativas não oficiais. A vida dos cidadãos comuns é marcada pelo aumento expressivo dos preços, como no caso do pão, que triplicou de valor, segundo Shahla, uma moradora local. A disparidade entre as regiões ricas e pobres da cidade é evidente, com os mais vulneráveis sofrendo mais os efeitos da crise econômica.
O impacto do desemprego e o desejo por paz
Mohammad, dono de uma sapataria, expressa uma ironia amarga ao dizer que espera que a guerra recomece, uma declaração que revela a complexidade de suas frustrações. Seu pai, Mustafa, compreende a angústia do filho de 27 anos, refletida em seus cabelos grisalhos. A esperança de que negociações bem-sucedidas pudessem trazer produtos autênticos e tendências de moda parece distante, enquanto a realidade é de escassez e preços exorbitantes.
O apagão digital e a luta pela conectividade
O bloqueio da internet, que já dura mais de 50 dias, causa frustração generalizada. Um jovem que não quis se identificar relata a dificuldade em acessar um site de traduções para estudar. O próprio ministro das Comunicações do Irã, Sattar Hashemi, pediu o fim da proibição, destacando que cerca de 10 milhões de pessoas, principalmente das classes média e baixa, dependem da conectividade para o trabalho, considerando o acesso à internet um “direito público”.
Segurança reforçada e a cultura dos cafés
A segurança em Teerã foi visivelmente reforçada, com a presença ostensiva de forças à paisana e veículos blindados em locais públicos. Apesar do clima de tensão, a cultura dos cafés na cidade persiste, com estabelecimentos lotados de clientes que buscam um momento de lazer e convívio. Essa resiliência cultural contrasta com a instabilidade política e econômica.
Contradições sociais e o legado dos protestos
As ruas de Teerã exibem um mosaico de contrastes sociais, com mulheres de lenços e casacos longos dividindo calçadas com jovens de jeans largos, piercings e tatuagens. Muitas mulheres desafiam as leis de vestimenta modesta, um eco dos protestos “Mulheres, Vida, Liberdade”. Pequenas manifestações contra o custo de vida evoluíram para protestos antigovernamentais, que foram reprimidos com violência.
A guerra na mente dos jovens e a busca por força nas negociações
Ali, fumando cigarros importados, compartilha com um amigo e sua irmã a preocupação com o futuro. A irmã de Ali, que acabou de pedir demissão de seu emprego como chef devido à impossibilidade do restaurante de pagar seu salário, resume a ambivalência em relação ao presidente Trump: “Eu amo o presidente Trump e odeio o presidente Trump”. Ele o ama porque disse que ajudaria o povo do Irã, mas o odeia porque não ajudou.
Debates públicos e a busca por unidade nacional
Em praças como a Vali-e Asr, apoiadores do governo se reúnem para debates ao ar livre, discutindo questões como a aprovação de negociações com os Estados Unidos pelo falecido líder supremo. Uma mulher, com o rosto coberto por um véu, contesta a interpretação de que o aiatolá Ali Khamenei se opôs às negociações, afirmando que “as coisas eram diferentes naquela época”. Outra mulher destaca a importância do hijab, mas aconselha: “Não devemos ser tão duros com aqueles que não querem usá-lo. Acho que este é um momento que exige união nacional”. Uma jovem declara em inglês: “Só negociamos com o presidente Trump a partir da nossa posição de força”.
Perguntas frequentes
O que está acontecendo em Teerã?
Teerã enfrenta uma crise multifacetada, com desemprego elevado, segurança reforçada e um apagão de internet que afeta milhões. A população lida com a incerteza econômica e política em meio a um cenário de guerra.
Qual o impacto do bloqueio de internet no Irã?
O bloqueio de internet, que já dura mais de 50 dias, prejudica a economia, afeta o trabalho de cerca de 10 milhões de pessoas e causa frustração generalizada entre os cidadãos que dependem da conectividade digital.
Como a guerra afeta a economia iraniana?
A guerra, combinada com o bloqueio de internet, pode ter impactado até 4 milhões de empregos. O custo de vida aumentou drasticamente, com produtos básicos como o pão triplicando de preço.
Há protestos no Irã?
Houve protestos antigovernamentais decorrentes do aumento do custo de vida, que foram reprimidos com violência. Além disso, há manifestações de apoio ao governo em praças públicas.
Qual a situação da segurança em Teerã?
A segurança em Teerã foi visivelmente reforçada, com a presença de forças à paisana e veículos blindados em locais públicos, refletindo o clima de tensão e instabilidade.









