Irã avalia baixa probabilidade de guerra com EUA, mas mantém Forças Armadas em alerta máximo
Apesar dos recentes ataques e da contínua escalada de tensões no Oriente Médio, o Irã considera pouco provável uma retomada das hostilidades em larga escala com os Estados Unidos. A declaração, vinda de um alto oficial da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, sugere confiança na capacidade de defesa iraniana, mesmo diante de um cenário complexo com negociações de paz em andamento.
O vice-chefe político da Marinha da Guarda Revolucionária, Mohamad Akbarzadeh, declarou que “a possibilidade de guerra é baixa devido à fraqueza do inimigo”. Ele assegurou que as Forças Armadas iranianas estão em alerta total, com “carregadores cheios”, demonstrando prontidão para qualquer eventualidade. Essa postura assertiva contrasta com os esforços diplomáticos que buscam um cessar-fogo duradouro.
A fala de Akbarzadeh também incluiu uma forte advertência territorial, ameaçando transformar a área de Chabahar até Mahshahr em um “cemitério para os agressores”, citando cidades estratégicas na costa sul do país. Essa declaração ocorre em um momento delicado, um dia após o Irã acusar Washington de violar o cessar-fogo vigente desde abril e de se preparar para medidas de retaliação.
Tensões se intensificam com acusações mútuas e bloqueio naval
A guerra no Oriente Médio, que se iniciou no final de fevereiro com ataques americanos e israelenses contra o Irã, expandiu-se rapidamente por diversas frentes, impactando toda a região e gerando uma crise no mercado global de energia. O Irã e os Estados Unidos têm trocado declarações hostis há semanas, enquanto negociam um acordo de paz com a mediação do Paquistão.
O Ministério da Inteligência iraniano divulgou um comunicado nesta quarta-feira, afirmando que os objetivos dos Estados Unidos e de Israel continuam sendo a derrubada da República Islâmica e o desmembramento do país. “O inimigo agora persegue, por outros meios, o objetivo de derrubar e fragmentar o país”, destacou a nota oficial.
A falta de um vencedor claro na guerra intensifica o impasse nas negociações. Nenhum dos lados parece disposto a ceder em pontos cruciais como o controle do Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o comércio internacional de petróleo e gás, e o programa nuclear iraniano. O Irã, por sua vez, fechou de fato o Estreito, e os EUA responderam com um bloqueio naval aos portos iranianos.
Ataques e contra-ataques marcam o conflito, mas diplomacia persiste
A imprensa estatal iraniana reportou explosões na cidade portuária de Bandar Abbas, próxima ao Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária informou na terça-feira ter derrubado um drone americano que invadiu o espaço aéreo iraniano e ter aberto fogo contra um caça F-35. O Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou que Teerã “não deixará sem resposta nenhum ato maligno e não hesitará em defender a nação iraniana”.
Na véspera, o porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), capitão Tim Hawkins, anunciou novos ataques americanos contra o Irã, afirmando que foram realizados em “legítima defesa para proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”. O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Jamenei, em mensagem por ocasião do Eid al-Adha, alertou que Washington está perdendo influência no Oriente Médio e pediu que países da região parem de abrigar bases americanas.
Apesar da escalada de ataques, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na terça-feira que um acordo de paz ainda é possível, reforçando a necessidade de reabrir o Estreito de Ormuz “de uma forma ou de outra”. No sul do Líbano, Israel executou ataques que, segundo o Ministério da Saúde libanês, deixaram 31 mortos, incluindo crianças. O Irã exige que qualquer acordo de paz também se aplique ao Líbano, onde combates continuam apesar de uma trégua anunciada em abril.
Esforços diplomáticos e projeto de paz em 14 pontos
Os esforços diplomáticos para um acordo de paz entre Washington e Teerã continuam. Uma delegação de alto escalão iraniana retornou de uma visita de dois dias ao Catar na terça-feira. O governo iraniano anunciou que está finalizando um projeto de 14 pontos para um acordo que encerre a guerra, demonstrando um movimento em direção à resolução pacífica do conflito, apesar das complexidades e desconfianças mútuas.
Perguntas frequentes
O Irã considera provável uma guerra com os Estados Unidos?
Não, o Irã considera a possibilidade de guerra com os Estados Unidos baixa, apesar das recentes tensões e ataques mútuos.
Qual a importância do Estreito de Ormuz no conflito?
O Estreito de Ormuz é uma rota marítima essencial para o comércio internacional de petróleo e gás, e seu controle é um dos principais pontos de divergência nas negociações de paz.
Quais são os principais objetivos do Irã nas negociações de paz?
O Irã busca um acordo de paz que também se aplique ao Líbano e que garanta a soberania e a integridade territorial do país, além de abordar o programa nuclear.
Qual o papel do Paquistão no conflito?
O Paquistão está atuando como mediador nas negociações de paz entre o Irã e os Estados Unidos.
O que o Irã propõe para acabar com a guerra?
O Irã está finalizando um projeto de 14 pontos para um acordo que visa encerrar a guerra, demonstrando um compromisso com a resolução pacífica.







