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domingo, novembro 30, 2025
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Recompras de ações disparam na B3 — e isso pode dizer muito sobre o futuro da bolsa

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Quando um movimento começa a se repetir entre dezenas de empresas ao mesmo tempo, o mercado presta atenção. E é exatamente isso que vem acontecendo com os programas de recompra de ações na B3, que estão no maior patamar da história — um sinal que, para muitos analistas, pode indicar que a bolsa brasileira ainda tem fôlego para subir.

Hoje, existem 128 programas de recompra ativos, envolvendo mais de um terço das grandes empresas da B3. Só em 2024 foram 126 anúncios, o maior número desde 2005, e em 2025 novos programas continuam surgindo.

Para entender o que isso significa, é preciso olhar tanto para o passado quanto para a leitura que as próprias empresas fazem de seus preços na bolsa.

Por que tantas empresas estão recomprando ações agora?

Segundo Daniel Gewehr, chefe de estratégia de ações do Itaú BBA, a recompra costuma acontecer quando a empresa acredita que suas ações estão baratas demais em relação ao seu valor real. Ou seja, seria mais vantajoso investir em si mesma do que direcionar o dinheiro para outras áreas.

E isso liga um alerta positivo: quando esse movimento perde força, geralmente significa que o preço já “igualou” ao valor justo.

Não por acaso, 126 programas foram anunciados em 2024, com outros 67 iniciados este ano — muitos deles renovando autorizações anteriores.

Recompra pode antecipar um novo ciclo de alta?

A história mostra que sim. Gewehr cita uma sequência de momentos importantes:

2008: em meio a um ano turbulento e forte queda da bolsa, houve 80 programas de recompra. Resultado? Ibovespa +82,66% no ano seguinte.

2015: 92 programas anunciados; em 2016, o índice subiu 38,93%.

2021: 118 anúncios; em 2022, mais 22% de alta.

2024: 126 anúncios; em 2025, o Ibovespa avança quase 50%.

Mesmo após esse salto, as recompras seguem aceleradas — o que, para muitos analistas, reforça a percepção de que o valuation brasileiro continua atrativo.

Quais setores mais estão recomprando suas ações?

Historicamente, quem liderava esse movimento eram empresas de commodities. Mas o cenário mudou. Segundo João Daronco, analista da Suno Research, os destaques agora estão nos setores mais estáveis, especialmente aqueles com muita geração de caixa, como:

Utilities (serviços públicos) — hoje, são os maiores programas em aberto.

Energia e saneamento.

Consumo não durável, como supermercados e bebidas.

Além disso, empresas como a B3 (B3SA3) têm recompra recorrente, já que não possuem tantas alternativas de alocação para o excesso de capital além de dividendos ou recompras.

Recompra é sempre positiva?

Não necessariamente. Daronco explica que é preciso analisar o contexto. A recompra aumenta a participação do acionista, reduz ações em circulação e eleva o lucro por ação — tudo ótimo. Mas existem riscos:

– Se a empresa recompra a preços muito altos, destrói valor.

– Se recompra ao mesmo tempo em que aumenta dívidas, pode comprometer o futuro.

– Em alguns casos, poderia ser mais vantajoso pagar dividendos ou reduzir endividamento.

Portanto, recompra é um excelente sinal, mas não deve ser interpretado como garantia de valorização futura.

Quanto as empresas ainda podem recomprar?

Um estudo do Itaú BBA aponta que, em novembro, 100 empresas tinham R$ 98,5 bilhões em recompras autorizadas e não executadas. Entre 16 de outubro e 19 de novembro, outras seis empresas anunciaram novos programas:

Ambev (ABEV3), Panvel (PNVL3), Pague Menos (PGMN3), Embraer (EMBR3), Grendene (GRND3), SLC Agrícola (SLCE3), Equatorial (EQTL3) e Boa Safra Sementes (SOJA3).

No acumulado do ano, já foram recomprados R$ 19,5 bilhões, com outros R$ 79 bilhões de potencial futuro.

Entre os setores com maiores recompras proporcionais ao valor de mercado:

Utilities: 6,2%

Consumo não durável: 4,9%

Energia: 2,9%

Esses movimentos reduzem o número de ações circulando, aumentam o lucro por ação e tendem a beneficiar investidores no longo prazo.

Conclusão: recompras recordes são bom sinal para a bolsa?

A resposta curta é: sim, mas com cautela.

O volume histórico de programas de recompra sugere que as empresas brasileiras ainda enxergam suas ações baratas, mesmo após a forte alta do Ibovespa. E, historicamente, esse comportamento precede ciclos positivos.

Mas acompanhar o contexto de cada empresa é essencial.

Para seguir acompanhando movimentos como esse — e entender como eles impactam seus investimentos — continue navegando pelo Brasilvest.

Perguntas Frequentes (FAQs)

O que significa um programa de recompra de ações?

É quando a empresa compra suas próprias ações, reduz o número de papéis no mercado e aumenta a participação dos acionistas remanescentes.

Recompra indica que a ação está barata?

Geralmente sim. A recompra costuma ser vista como sinal de valuation atrativo, já que a empresa prefere investir nela mesma.

Todos os setores estão recomprando?

Os maiores volumes hoje vêm de utilities, consumo não durável e energia, impulsionados pela forte geração de caixa.

Recompra sempre beneficia o acionista?

Na maioria das vezes, sim. Mas depende das condições: preço pago, endividamento e estratégia da empresa.

Qual é o impacto no lucro por ação?

Com menos ações circulando, o lucro por ação aumenta, beneficiando diretamente o investidor.

A recompra indica alta garantida da bolsa?

Não garante, mas historicamente antecedeu anos positivos no Ibovespa.

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